quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Até 2009

Pessoal, saio de viagem daqui a algumas horas rumo à minha querida Uberaba. Ficarei desconectado nos próximos dias. Então, feliz Natal e um ótimo Ano Novo para vocês! Em janeiro tô de volta. Um abraço.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mais uma lista (mas essa é bem fraquinha)


A revista Empire lançou uma lista dos cem maiores personagens de cinema de todos os tempos. A lista tem alguns (poucos) méritos, apesar de praticamente só ter personagens de filmes comerciais americanos. Além disso, tem pelo menos uma omissão imperdoável. Veja:

1º - Tyler Durden (Brad Pitt em Clube da Luta)

2º - Darth Vader (David Prowse e James Earl Jones em Star Wars, episódios III, V e VI)

3º - Coringa (Heath Ledger em Batman - O Cavaleiro das Trevas)

4º - Han Solo (Harrison Ford em Star Wars, episódios V e VI)

5º - Hannibal Lecter (Anthony Hopkins, em O Silêncio dos Inocentes)

6º - Indiana Jones (Harrison Ford nos quarto filmes da franquia)

7º - Jeffrey Lebowski (Jeff Bridges em O Grande Lebowski)

8º - Capitão Jack Sparrow (Johnny Depp na trilogia Piratas do Caribe)

9º - Ellen Ripley (Sigourney Weaver nos quarto filmes da franquia Alien)

10º - Vito Corleone (Marlon Brando em O Poderoso Chefão)

11º - James Bond (Sean Connery em 007 Contra Goldfinger)

12º - John McClane (Bruce Willis na franquia Duro de Matar)

13º - Gollum (da trilogia O Senhor dos Anéis)

14º - Exterminador (Arnold Schwarzenegger em O Exterminador do Futuro)

15º - Ferris Bueller (Matthew Broderick em Curtindo a Vida Adoidado)

16º - Neo (Keanu Reeves na trilogia Matrix)

17º - Hans Gruber (Alan Rickman em Duro de Matar)

18º - Travis Bickle (Robert De Niro em Taxi Driver)

19º - Jules Winnfield (Samuel L. Jackson em Pulp Fiction - Tempo de Violência)

20º - Forrest Gump (Tom Hanks em Forrest Gump - O Contador de Histórias)

21º - Michael Corleone (Al Pacino em O Poderoso Chefão)

22º - Ellis 'Red' Redding (Morgan Freeman em Um Sonho de Liberdade)

23º - Harry Callahan (Clint Eastwood em Dirty Harry- Na Lista Negra)

24º - Ash (Bruce Campbell em A Morte do Demônio)

25º - Yoda (Frank Oz em Star Wars, episódios V e VI)

26º - Ron Burgundy (Will Ferrell em O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy)

27º - Tony Montana (Al Pacino em Scarface)

28º - Gandalf (Ian McKellen na trilogia O Senhor dos Anéis)

29º - Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis em Sangue Negro)

30º - Jigsaw (Tobin Bell na franquia Jogos Mortais)

31º - Aragorn (Viggo Mortensen na trilogia de O Senhor dos Anéis)

32º - Jason Bourne (Matt Damon nas três franquias de Bourne)

33º - Tequila (Chow Yun-Fat em Hard Boiled)

34º - Rocky Balboa (Sylvester Stallone nas seis franquias de Rocky)

35º - Maximus Decimus Meridius (Russell Crowe em Gladiador)

36º - Harry Potter (Daniel Radcliffe nas três franquias de Harry Potter)

37º - Edward Scissorhands (Johnny Depp em Edward Mãos de Tesoura)

38º - Donnie Darko (Jake Gyllenhaal em Donnie Darko)

39º - Marty McFly (Michael J. Fox nas três franquias de De Volta para o Futuro)

40º - Patrick Bateman (Christian Bale em Psicopata Americano)

41º - Mary Poppins (Julie Andrews em Mary Poppins)

42º - Alex DeLarge (Malcolm McDowell em Laranja Mecânica)

43º - The Man With No Name (Clint Eastwood em Três Homens em Conflito)

44º - Peter Venkman (Bill Murray em Os Caça-Fantasmas)

45º - Amélie Poulain (Audrey Tautou em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain)

46º - Anton Chigurh (Javier Bardem em Onde Os Fracos Não Têm Vez)

47º - Blade (Wesley Snipes em Blade - O Caçador de Vampiros)

48º - Tony Stark (Robert Downey Jr. em Homem de Ferro)

49º - Walter Sobchak (John Goodman em O Grande Lebowski)

50º - Quint (Robert Shaw em Tubarão)

51º - Mal Reynolds (Nathan Fillion em Serenity)

52º - George Bailey (James Stewart em A Felicidade Não se Compra)

53º - Luke (Paul Newman Rebeldia Indomável)

54º - Luke Skywalker (Mark Hamill nas franquias de Star Wars)

55º - Lt. Frank Drebin (Leslie Nielsen em Corra que a Polícia Vem Aí)

56º - Juno MacGuff (Ellen Page em Juno)

57º - Brick Tamland (Steve Carell em O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy)

58º - Rick Blaine (Humphrey Bogart em Casablanca)

59º - Tommy Devito (Joe Pesci em Os Bons Companheiros)

60º - Ace Ventura (Jim Carrey nas duas franquias de Ace Ventura)

61º - R.P. McMurphy (Jack Nicholson em Um Estranho no Ninho)

62º - Mathilda (Natalie Portman em Léon)

63º - Wall-E (Voz de Ben Burtt em Wall-E)

64º - Withnail (Richard E. Grant em Os Desajustados)

65º - White Goodman (Ben Stiller em Com a Bola Toda)

66º - A Noiva (Uma Thurman em Kill Bill Vol. 1 e 2)

67º - Frank Booth (Dennis Hopper em Veludo Azul)

68º - Napolean Dynamite (Jon Heder em Napoleon Dynamite)

69º - Keyser Soze (Kevin Spacey em Os Suspeitos)

70º - Atticus Finch (Gregory Peck em O Sol é para Todos)

71º - Snake Plissken (Kurt Russell em Fuga de Los Angeles)

72º - V (Hugo Weaving em V deVingança)

73º - Jack Torrance (Jack Nicholson em O Iluminado)

74º - E.T. (Voz de Debra Winger em E.T. - O Extraterrestre)

75º - Marge Gunderson (Frances McDormand em Fargo - Uma Comédia de Erros)

76º - Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd nas três franquias de De Volta para o Futuro)

77º - Ed (Nick Frost em Todo Mundo Quase Morto)

78º - Axel Foley (Eddie Murphy em Um Tira da Pesada)

79º - Boba Fett (Jeremy Bulloch em Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca)

80º - Norman Bates (Anthony Perkins em Psicose)

81º - Wolverine (Hugh Jackman em as três franquias de X-Men)

82º - Marv (Mickey Rourke em Sin City - A Cidade do Pecado)

83º - Mr. Blonde (Michael Madsen em Cães de Aluguel)

84º - Agente Smith (Hugo Weaving em Matrix, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions)

85º - Vincenzo Coccotti (Christopher Walken em Amor à Queima-Roupa)

86º - Roy Batty (Rutger Hauerem em Blade Runner - O Caçador de Andróides)

87º - Drácula (Christopher Lee em Drácula)

88º - Jessica Rabbit (Voz de Kathleen Turner em Uma Cilada para Roger Rabbit)

89º - Princesa Leia Organa (Carrie Fisher em Star Wars, episódios IV, V e VI)

90º - Bruxa (Margaret Hamilton em O Mágico de Oz)

91º - Scarlett O'Hara (Vivien Leigh em E O Vento Levou...)

92º - Randal Graves (Jeff Anderson em O Balconista)

93º - Martin Q. Blank (John Cusack em Matador em Conflito)

94º - Buzz Lightyear (Voz de Tim Allen em Toy Story 1 e 2)

95º - Freddy Krueger (Robert Englund em A Hora do Pesadelo 1-6)

96º - Ethan Edwards (John Wayne em Rastros de Ódio)

97º - Clarice Starling (Jodie Foster em O Silêncio dos Inocentes)

98º - Charles Foster Kane (Orson Welles em Cidadão Kane)

99º - HAL-9000 (Voz de Douglas Rain em 2001: Uma Odisséia no Espaço)

100º - Martin Riggs (Mel Gibson em Máquina Mortífera 4)

Essa lista acerta em cheio ao se lembrar de Coringa, Anton Chigurh e Daniel Plainview. A 14ª posição para o personagem do Schwarzenegger n’ O Exterminador do Futuro só pode ser uma piada, né? Agora, o que realmente salta aos olhos é a ausência de Carlitos, do Charles Chaplin. Na minha lista, ele certamente seria o primeiro, seguido do Don Corleone, Alex (Laranja Mecânica), Jeffrey Lebowski (O grande Lebowski), Hannibal Lecter (O silêncio dos inocentes), Travis Bicle (Taxi Driver) e R.P. McMurphy (Um estranho no ninho).
Além da lista ser bem fraquinha (o personagem do Brad Pitt em primeiro lugar? Wolverine? Harry Potter?), a ausência do Carlitos praticamente a invalida.
PS-1: Notaram como tem pouquíssimas mulheres na lista?

PS-2: Senti falta também do Jake La Motta (Robert De Niro em Touro Indomável). Aliás, a lista tem tantas omissões que eu acho que nem vale a pena começar a citá-las.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Eu também tenho a minha lista

Vai chegando o final de 2008 e com ele as listas de melhores do ano. Como eu as adoro, resolvi fazer a minha, uma pequena seleção dos melhores livros de autores brasileiros que li nesse ano. Para isso precisei antes estabelecer algumas condições:

1) Não entraria releitura. Nesse ano reli Capitães de areia, A morte e a morte de Quincas Berro d’água, Angústia, Vidas Secas..., livros que, não fosse essa cláusula, fatalmente estariam na lista.

2) Daria prioridade a livros mais recentes. Na seleção final entrou apenas um livro anterior a 2006, e logo vocês conhecerão o motivo.

3) Só entrariam livros sensacionais, só ser bom não bastaria.

4) Teria que estar aqui em casa para sair nessa foto acima (ora bolas). Quando tenho a oportunidade de ir à casa dos meus pais, no interior do Estado, eu aproveito e levo os livros já lidos para serem guardados lá, pois o meu apartamento aqui em BH é, digamos, minúsculo. Por isso, a grande maioria dos livros selecionados foi lida na segunda metade do ano.

Esclarecidas as condições, confesso que um tanto aleatórias, vamos aos selecionados:

Órfãos do Eldorado: Esse romance é quarto de um dos maiores escritores em atividade no Brasil, o amazonense Milton Hatoum. O primeiro livro que li dele foi Dois Irmãos, em 2001. Este é ainda o melhor romance dele na minha opinião – já li todos os 4 - e um dos melhores, se não o melhor, livros de autores brasileiros publicados nesse século. Órfãos do Eldorado é ambientado no Estado do Amazonas e utiliza tipos e especificidades locais para tratar de temas universais, o que é uma constante na obra do autor. Hatoum é um tipo raro de escritor: escreve pouco e o pouco que escreve se destina a se tornar uma obra-prima ou, no mínimo, um excelente livro. Com Órfãos do Eldorado, ele fez o que se poderia esperar dele: mais um livro sensacional para o seu currículo.

Baú de Ossos: Esse livro é o único da lista que desobedece a alguma das minhas condições. É de 1972 e foi lido no começo do ano (não sei por que ele ficou aqui no meu apê, talvez porque eu, na época, tivesse ficado tão encantado com o ele que pensava relê-lo em breve). Baú de ossos é o primeiro livro de memórias de Pedro Nava, considerado o maior memorialista do Brasil, e foi escrito já na sua maturidade, quando já era um médico reumatologista muito respeitado. No livro, ele vai contando a história de sua família, desde seus bisavós maternos e paternos até chegar à sua própria infância, tudo bem mineiramente. Outro importante personagem dessa história é Minas Gerais, que tem todas as suas regiões e fases históricas descritas de maneira deliciosa. Enfim, é um livro apaixonante de um escritor sensacional. Ah, por que eu abri exceção para um livro que não atendia a alguma das minhas condições? Porque não consegui deixar de fora o principal livro de um autor que eu li pela primeira vez nesse ano e me apaixonei à primeira lida.

A utopia brasileira e os movimentos negros: Antônio Risério escreveu o que é considerado por muitos o principal livro que trata de raça e racismo no Brasil. Dele, eu só tinha lido um livro de poemas chamado Brasibraseiro, escrito em parceria com Frederico Barbosa, e até esse ano eu não sabia o quão arguto pensador ele era. Em A utopia... Risério faz uma análise muito interessante sobre a inserção dos negros na sociedade brasileira e na americana, desde a chegada dos primeiros negros da África até hoje, destaca as flagrantes diferenças e especificidades e concluí que é um erro o movimento negro brasileiro querer imitar o americano, como vem acontecendo há alguns anos. No decorrer do livro, ele analisa o racismo à brasileira, o papel dos negros no desenvolvimento do futebol e da cultura brasileira, o papel da mestiçagem na integração do negro na sociedade, o erro do conceito de “democracia racial”, que erradamente é atribuído a GilbertoFreyre, e muito mais (nem de longe dá para resumir esse livro em poucas palavras aqui. É preciso lê-lo. É quase que obrigatório). Além do conteúdo, Risério se preocupa muito com a forma. Foge de academicismos e escreve numa linguagem límpida, com um texto saborosíssimo.

O filho eterno: Escrito por Cristovão Tezza, ele ganhou quase todos os prêmios literários esse ano: Jabuti, Portugal Telecom, APCA, Prêmio São Paulo de Literatura, Prêmio Bravo!...Não há muito mais a dizer desse livro além do que já foi dito. Sobre ele, escrevi um post que é um dos mais lidos do blog.

Veneno remédio: Muito acreditam que no Brasil se joga o melhor futebol no mundo. No entanto, ele, o futebol, é pouco representado no nosso cinema, na nossa literatura, e pouco pensado por nossos intelectuais. José Miguel Wisnik deu um grande passo para sanar esta deficiência. Com a "desculpa" de analisar o futebol, ele fez um amplo estudo da sociedade e da cultura brasileira do século passado. Para quem gosta de futebol, e talvez até para quem não gosta, é um livro imperdível, dos mais significativos publicados nesse ano.

Um defeito de cor: Ainda estou na metade do livro, mas já deu para notar que tudo o que disseram dele é verdade. Já é um clássico. Daqui a vinte ou trinta anos, os professores de literatura estudarão esse livro minuciosamente com os seus alunos, assim como os meus professores fizeram com Grande Sertão: Veredas ou São Bernardo. Ana Maria Gonçalves, a autora, narra a história de Kehinde, negra que foi capturada na África ainda com oito anos de idade para ser escrava no Brasil. E reconstitui o Brasil do século XIX, com seus sinhôs e sinhás e escravos, suas relações, as diversas etnias africanas que chegaram ao Brasil naquela época, suas religiões e sincretismos, seus orixás e voduns, suas revoltas, enfim, faz um baita painel da sociedade brasileira daquela época. Esse é aquele tipo de livro que te põe num dilema: você fica doido para ler e saber o que vai acontecer, mas você não quer que ele acabe nunca!

PS: esse post não tem nenhuma pretensão de ser uma crítica literária. São apenas impressões de um leitor comum.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Frase da semana

" O comunismo pegou onde menos se esperava-- na Rússia, terra de camponeses e místicos, e na exótica China. Não deve surpreender que o socialismo triunfe em outros lugares estranhos: a GM, o Citibank..."

Luís Fernando Veríssimo, na sua coluna de hoje d'O Globo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Curtinhas

O Ronaldo mal chegou ao Corinthians e eu já não agüento mais ouvir falar dele.

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Eu ia fazer um post falando de um filme que vi essa semana e achei sensacional. Não vou mais fazê-lo. Tudo que eu ia dizer está aqui.

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Li por aí que o Flamengo, para aplacar a frustração com a ida do Ronaldo para o Corinthians, está negociando com o Adriano. Se eu fosse da diretoria do Mengão, pensaria melhor.

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Então o governo corta impostos para estimular o consumo na tentativa de diminuir os efeitos da crise global no Brasil e o Banco Central mantém a taxa de juros alta, com a justificativa de com isso frear o consumo e conter as pressões inflacionárias? Não tô entendendo mais nada...

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A TV Cultura vai reunir um time de peso que promete interpelar duramente o presidente do STF, Gilmar Mendes, no próximo Roda Viva. A bancada de entrevistadores vai contar com jornalistas "independentes" do calibre de: Eliane Catanhêde (Folha de S. Paulo), Reinaldo Azevedo (Veja), Marcio Chaer (site Consultor Jurídico) e Carlos Marchi (Estadão). Se eu fosse o Gilmar Mendes, iria muito bem preparado para essa "batalha". (via blog do Nassif)

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Fiquei com inveja do Daniel e em breve vou fazer um post parecido com o dele. Aguardem.

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Em dezembro as pessoas tem dupla oportunidade de me presentear: no natal e no meu aniversário, no dia 20. Para facilitar o trabalho da minha família, eu fiz uma lista de presentes. Quem quiser aproveitar a deixa, fique à vontade :-)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

10 metas para 2009

1) Ler O capital. Já li várias coisas do Marx, mas falta a cereja do bolo. Ou melhor, falta o bolo.

2) Deixar de lado alguns autores que eu gosto muito - e conseqüentemente leio quase tudo deles - para me dar a oportunidade de conhecer melhor outros, como por exemplo, António Lobo Antunes, Saul Below, Juan Jose Saer, Bolaño..., que eu li muito pouco ou nada.

3) Fazer uma pequena economia.

4) Viajar para Cuba, se conseguir atingir o objetivo 3.

5) Parar de trabalhar nos finais de semana.

6) Voltar a estudar francês.

7) Reler Casa Grande e Senzala e Sobrados e Mucambos. Já li essas duas obras há vários anos, no mínimo 4, e estou precisando relê-las urgentemente, pois muita coisa eu já esqueci. Reler também A interpretação dos sonhos, dessa vez com a devida atenção, e ler O mal-estar na civilização ( não sei porque misturei Gilberto Freyre e Freud no mesmo item, mas tá valendo).

8) Tomar melhores cervejas que em 2008.

9) Rever alguns filmes clássicos que já faz muito tempo que eu assisti.

10) Estudar mais, se der tempo :-)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

E aí, Pimentel?

É, parece que o boato ao qual me referi há algumas semanas tem fundamento.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

A moçoila e o inopinado beijoqueiro

De vez em quando é difícil não concordar com o José Simão quando ele diz que o Brasil é o país da piada pronta. Leia essa notícia.

Há cerca de 2 anos, durante uma viagem de van em Brasília, um rapaz ficou tão encantado com uma moça que estava sentada ao seu lado que resolveu tascar-lhe um beijo no rosto. No entanto, excitado como estava, ele acabou se esquecendo de perguntar se ela estava disposta a receber a beijoca. A moça então desviou-se assustada do golpe de beiço e revidou com uma série de tapas e pontapés. Não contente, ela ainda decidiu processar o rapaz, que tem o supremo azar de não ser nenhum Reinaldo Gianecchini, pois se fosse, "a reação teria sido outra", segundo a moça.

A descrição que o juiz faz da cena na sua sentença é impagável: "A moçoila ofendida foi surpreendida pelo inopinado beijoqueiro, que, não resistindo aos encantos da donzela, direcionou-lhe a beiçola, tendo como objetivo certo a face alva da passageira que se encontrava ao lado". Sensacional!

Em tempo: o processo terminou no mês passado e o "inopinado beijoqueiro" foi absolvido.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Eu já fui um direitista

E dos empedernidos.

Até os dezesseis anos de idade eu fui capaz de cometer frases como esta, ao ser perguntado se eu era a favor ou contra a legalização do aborto: - Eu sou radicalmente contra, pois sou a favor da vida. Sou um conservador, e nós conservadores por princípio somos contrários a isso.

Sim, essa frase já saiu da minha boca. E minha família se deleitava: - Nós acertamos na criação desse menino. Ele é de ouro!

Eu era o orgulho da família, conservadora até a medula. Afinal, aos quinze anos eu já tinha lido os dois volumes de Lanterna na popa do Roberto Campos, que era meu ídolo àquela altura, defendia com ardor que o Brasil tinha avançado muito durante a ditadura militar e denunciava o esquerdismo que tomava conta da mídia brasileira. Ele é muito maduro para a idade, diziam meus parentes.

Com o passar do tempo, fui rapidamente me deslocando para a esquerda, e aos dezoito já me considerava um socialista. Por causa dessa mudança ideológica tão radical, associada à barba recém-nascida que eu orgulhosamente cultivava, ao cabelo que eu usava cuidadosamente desgrenhado e ao meu voto na chapa Lula-Brizola na eleição de 1998, minha família materna, berço de deputados estaduais, federais e senadores, pela ARENA e pelo antigo PFL, mandou um alerta a meu pai: - Esse menino enlouqueceu. Só pode estar usando drogas!, ao que ele respondeu: -Isso são os arroubos da juventude. Com o tempo ele põe a cabeça no lugar e volta aos eixos.

Já tenho 28 anos e ainda não voltei aos eixos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Só faltava essa

Apesar de flamenguista (com muito orgulho!), torci muito para o Vasco hoje. Não, não foi porque eu pensava que o Flamengo tinha chances reais de brigar pelo título e que a derrota do São Paulo seria essencial para continuar sonhando. Eu já estava desencanado disso, estou mesmo preocupado é com a difícil disputa que meu time está enfrentando para conquistar uma vaga na Libertadores da América. E esse jogo entre Vasco e São Paulo não teria nenhuma influência nessa briga.

O motivo da minha sincera torcida pelo maior rival do meu time foi outro. Foi o medo dessa reação da torcida. Temo que se o Vasco da Gama for rebaixado, Roberto Dinamite, o atual presidente do clube, seja responsabilizado, injustamente, no lugar dos verdadeiros culpados: Eurico Miranda e sua herança maldita.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O filho eterno

Li sobre o livro O filho eterno pela primeira vez logo que ele foi lançado, no ano passado. Primeiro li críticas na imprensa. Até aí tudo bem, não acredito muito nela. Depois, artigos e posts de escritores. Sempre com críticas extremamente favoráveis ao livro. Aí, adepto da teoria da conspiração que por vezes sou, eu pensei: "Aí tem coisa. Esses escritores falam bem do Tezza, e ele retribui a gentileza quando eles lançarem seus novos livros" (sempre fico com um pé atrás quando um escritor se derrete por um livro de um contemporâneo). Então, vieram os prêmios: Jabuti,Portugal Telecom... "Prêmios não querem dizer nada", mas, por via das dúvidas, resolvi comprar o livro ( "não é possível que estejam todos participando de uma conspiração", pensei).

Eu tinha uma certa resistência ao livro. Achava que não era possível um escritor escrever sobre a relação entre um pai e seu filho com Síndrome de Down, ainda mais nessas circunstâncias (Cristovão Tezza tem realmente um filho trissômico, e usou muitos elementos autobiográficos no livro), sem cair na pieguice e/ou na autocomiseração. Por causa disso, deixei o livro na estante, na fila.

Aí, o Idelber e a minha blogueira favorita, Camila, na mesma semana, escreveram posts esclarecedores falando maravilhas do livro. Então, eu me dei conta de que estava bancando o idiota. Estava alimentando uma picuinha ridícula contra o livro, antes mesmo de tê-lo lido. Passei-o na frente da fila, e o li em duas noites.

O livro é simplesmente sensacional (se quiserem uma análise mais aprofundada e apropriada, leiam esses links aí de cima. Eu sou apenas um leitor e faço julgamentos como tal). A maneira sincera e desprovida de lugares-comuns e sentimentalismos com que as reações do pai desde o nascimento até a idade adulta do "filho eterno" são narradas - o choque, a negação, a vergonha e, enfim, a vitória do afeto - nos levam a uma estranha empatia pelo personagem. As atitudes e pensamentos nem sempre louváveis, às vezes até cruéis, do pai são desculpados sumariamente. Ele é humano, ora bolas (ele é gente, diria Leonardo Quintão). Será que nenhum daqueles pensamentos passariam pela minha cabeça se eu estivesse no lugar do personagem? E na sua? A mente humana é uma fábrica inesgotável de crueldade. Se não fosse o superego... Com tudo isso, o resultado foi uma narrativa com características confessionais extremamente emocionante e sincera, que conseguiu evitar todas as armadilhas que os romances confessionais que se pretendem emocionantes e sinceros costumam cair.

Esse foi o primeiro livro que li do Cristovão Tezza. E ele deixou de ser para mim aquele escritor cujos livros ficam perto dos do Dalton Trevisan nas livrarias, para ser o autor de uma verdadeira obra-prima. Uma OBRA-PRIMA, na verdade (com maiúsculas mesmo). Você aí, que está lendo esse post e ainda não leu o livro, leia-o. Não perca tempo, leia-o urgentemente.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Qual será a do Pimentel?

Depois das últimas eleições, uma pergunta continua no ar: qual será o destino de Fernando Pimentel? Como todos devem saber, ele deixa a prefeitura de Belo Horizonte no final do ano. No seu lugar entra Marcio Lacerda, o poste que, apoiado por uma aliança Aécio-Pimentel, foi eleito o novo prefeito da capital mineira.

A fofoca aqui em BH é que Pimentel tem 2 destinos possíveis: ou será convidado por Lula para ser o novo ministro do Turismo, ou poderá aprofundar ainda mais a parceria com Aécio Neves, sendo o novo titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, cargo que fora ocupado por Lacerda antes da campanha vitoriosa.

Para ir para a Esplanada dos Ministérios, ele teria que vencer o poderoso grupo de pressão que defende o retorno de Marta Suplicy ao cargo. Além disso, o convite de Lula poderia ser dificultado pelo profundo mal-estar entre Pimentel e uma importante parcela do PT, decorrente da briga que o prefeito comprou com o partido para lançar a candidatura de Lacerda. O eventual convite de Lula seria a melhor saída para Pimentel, pois a segunda opção...

A segunda opção poderia se tornar o suicídio político do prefeito. Se ele for para a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, logicamente teria que deixar o PT (o que se especula é que se filiaria ao PSB, partido do poste), como já aconteceu com Tilden Santiago, um dos fundadores do PT no Estado, que há alguns anos também deixou o partido ao aceitar o convite de Aécio para ocupar um cargo no governo estadual . Isso reforçaria o discurso dos críticos da aliança, que argumentam que ela servira apenas para entregar a prefeitura, que há 16 anos é administrada com sucesso por PT e aliados, de mão beijada para Aécio Neves, em nome do projeto pessoal de Pimentel, que teria forçado a barra para viabilizar a aliança, com a promessa de que seria candidato ao governo do Estado em 2010 com o apoio do atual governador. Em suma, na visão desses críticos, ele assinaria o atestado de "traíra". Agora, há um modo desse tiro não sair pela culatra: se Aécio for o candidato a presidente em 2010 pelo PMDB, com o apoio de Lula, e vencer . Aí vai ter gente dizendo que Pimentel foi o craque que anteviu a jogada!

Aguardemos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Nasce uma estrela

Essa foto do tenista escocês Andy Murray foi tirada há 2 meses, em Wimbledon, durante o confronto entre Grã-Bretanha e Áustria pela Copa Davis. O gênio que conseguiu essa bela imagem? Eu :-)

Esse jogo, que assisti, aconteceu poucas semanas depois de Andy Murray ter participado de sua primeira final de Grand Slam, no US Open, onde ele fez uma campanha excepcional, vencendo Rafael Nadal na semifinal. No entanto ficou um gosto amargo: fora derrotado por Roger Federer, de maneira humilhante, na final. E vocês sabem como são os tablóides ingleses...

Murray, apesar de já ter vencido vários títulos na temporada e de ter feito a final do Grand Slam americano, chegou a Londres sob uma pressão muito grande para enfrentar a Áustria. E ele mostrou que não tem medo de cara feia. Venceu todos os seus jogos convincentemente. Seus companheiros é que fizeram feio perdendo os outros 3 jogos. E o confronto ficou 3X2 para os visitantes.

Bom, esse longo preâmbulo foi para falar de um jogo fantástico que eu assisti hoje: Andy Murray X Roger Federer, pela última rodada da primeira fase da Masters Cup de Xangai. Esse é o último torneio do ano e reúne os 8 melhores tenistas da temporada (dessa vez o nono melhor substituiu o número 1, Rafael Nadal, que não está participando do torneio por estar lesionado).

O jogo começou muito equilibrado e assim ficou até o final do segundo set. Federer venceu o primeiro e Murray, o segundo. Antes do início do terceiro set, Federer, que já estava sentindo uma contusão há alguns games, pediu atendimento médico e começou o set decisivo irreconhecível. E Murray, que não é bobo nem nada, aproveitou-se disso muito bem e abriu logo 3 a 0. O suíço estava abatido e o jogo parecia se encaminhar para um final melancólico. E essa impressão ficou ainda mais forte quando Federer pediu novo atendimento médico. Mas o ex-número 1 do mundo não é de se entregar assim. Mesmo aparentando estar jogando no sacrifício, ele resolveu mostrar sua caixa de ferramentas. Começou a jogar como nos melhores momentos da sua carreira. Quando o adversário achava que vinha um lob, ele dava uma passada; quando esperava uma paulada, ele dava uma deixadinha... Murray, que achou que estava com o jogo na mão, ficou atordoado, e Federer virou para 4x3.

Aí, o escocês achou melhor também abrir a sua caixa de ferramentas, e novamente equilibrou o jogo. A partir daí, aproveitou-se de sua melhor condição física, teve cabeça para jogar bem os pontos decisivos e conseguiu sair com uma vitória que o classificou para uma das semifinais. Agora ele pega Davydenko ( número 5 do mundo). A outra semifinal é entre o showman Djokovic e Simon. Uma final entre Murray (nº 4) e Djokovic (nº 3) seria sensacional. Eles são os únicos tenistas do circuito atualmente capazes de fazer frente a Nadal (nº 1) e Federer (nº 2). Vou ficar de olho.

Murray tem talento, é jovem, tem um preparo físico impressionante e um volume de jogo enorme. Ele tem tudo para vencer algum Grand Slam no ano que vem. Se os 3 jogadores que estão à frente dele no ranking mundial não tomarem muito cuidado, o escocês pode se tornar o grande jogador de 2009. Anotem esse nome: Andy Murray.

Atualização: Foi só eu falar no cara e ele perdeu para o Davydenko! Murray esteve irreconhecível em quadra, provavelmente reflexo do cansaço da batalha de ontem contra Federer. Apesar desse fiasco, ele ainda é minha aposta para 2009.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Conversa de botequim

Conversa que ouvi ontem, numa mesa ao lado da minha, entre dois jovens engravatados, num tradicional boteco de Belo Horizonte:

- Você viu os policiais lá de Pernambuco zoando os presos?

-Eu vi. Mas só zoar não adianta. Eles tinham que ter descido o cacete também.

- Eu também sou a favor de bater nesses caras.

- Mas, lógico, sem causar lesões graves.

- É, claro.

Ah, bom...

domingo, 9 de novembro de 2008

Eu aumento, mas não invento

Coisas engraçadas e/ou inusitadas me perseguem. Acontecem comigo diariamente. De vez em quando, mais de uma vez por dia. Tem gente que acha que eu invento essas histórias, mas eu juro que não. Eu aumento, mas não invento.

Ontem, quando saia para trabalhar à noite, encontrei com um porteiro do prédio que eu não via há um mês:

- E ai, Geraldo, beleza?

- Beleza, Bruno. E você?

- Tranqüilo.

- E ai, como está o Sadam?

- Que Sadam?

- Uai, o Sadam, seu cachorrinho...

- hehehe... Não é Sadam, é Fidel.

- Ah, sei lá, eu me confundo todo com esses comunistas!

-?!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Questão de sorte

Não deixem de ler essa matéria de Bob Fernandes publicada hoje no Terra Magazine.

Como vocês já devem saber, no momento em que escrevo esse post está sendo julgado no STF o mérito do habeas corpus concedido por Gilmar Mendes a Daniel Dantas. Bob Fernandes crava: "se o julgamento se concretizar, prevalecerá o habeas corpus". E justifica sua certeza enumerando várias "coincidências" que devem beneficiar o banqueiro nesse importante julgamento.

Não é motivo para espanto essa quantidade de coincidências. É questão de sorte. Costuma acontecer até com uma certa frequência, principalmente com banqueiros, parlamentares e congêneres. Quem não se lembra daquele cara que ganhou um monte de vezes na loteria? Pura sorte!

Atualização: O habeas corpus concedido a Dantas acaba de ser mantido pelo STF. E ainda temos que ouvir Gilmar Mendes dizer que "estamos virando a página de um juiz que constrangeu um ministro", referindo-se, é claro, ao juiz De Sanctis. É para chorar!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Agora a história é outra



Não há como de referir a esse momento, ou sequer pensar nele, sem emoção: Barack Obama foi eleito de maneira categórica o 44º presidente dos EUA.

Amigos, estamos vendo a história sendo escrita. Os americanos, cansados de 8 anos de escuridão, dão uma chance à esperança. Elegeram um negro, o primeiro a governar a maior potência econômica e militar do mundo. E isso pouco mais de quarenta anos depois de outro negro ser morto por ousar dizer que todos deveriam ter direitos iguais independentemente da cor de sua pele.

Como não se deixar levar pela emoção vendo essa cena?


Como não encher o coração de esperança ao ver um presidente eleito de maneira tão incontestável e com uma vitória tão cheia de simbolismos fazer um discurso da vitória assim, sem ódio, sem arrogância, sem revanchismo?

A eleição de Barack Obama é um daqueles momentos em que mesmo não tendo nenhuma participação importante e decisiva eu me sinto um verdadeiro vitorioso. Sinto-me fazendo parte da história. Em relação a política só lembro de ter me sentido assim duas vezes: nas eleições de Lula em 2002 e 2006.

Agora o mundo volta a olhar para os Estados Unidos com outros olhos. Com mais respeito e admiração. Com esperança de mudança no Oriente Médio, na relação dos EUA com o resto do mundo e no fim do embargo econômico à Cuba.

Os EUA mudarão e o planeta mudará, com certeza para melhor. Resta-nos esperar para ver a magnitude da mudança, mas ninguém pode negar: o mundo será um lugar muito mais seguro para se viver com Barack Obama no lugar que hoje é ocupado por George W. Bush .

* Desculpe pelo texto emocionado. Eu não saberia escrever de outra forma sobre essa eleição que eu acompanhei com tanta emoção e torci com tanto entusiamo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

It's time


Vixe! Só hoje eu vi. A revista marxista-leninista The Economist endossou a candidatura de Barack Obama . Isso aumenta muito a esperança de John McCain de virar o jogo no finalzinho, pois agora ficaram claras as inclinações socialistas de Obama :-)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Cada um com o seu líder

"Win or Lose, Many See Palin as Future of Party", esse é o título de uma reportagem de hoje do New York Times, e não, como pode parecer à primeira vista, uma piada. Tadim do Partido Republicano, tá mais perdido do que o DEM!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A hora da engenharia de obra feita - BH

Acabaram as eleições. Os vencedores comemoram suas vitórias, os perdedores buscam se recompor tentando tirar uma vitória política de uma derrota eleitoral. E eu comecei a semana trabalhando igualzinho, o mesmo stress, as mesmas pequenas vitórias do dia-a-dia, as pequenas derrotas, a mesma praça, o mesmo banco...

Mas para quem gosta de política como eu, o período eleitoral é um prato cheio. E eu não poderia deixar de fazer a minha análise, por mais desnecessária que seja a essa altura do campeonato, quando quase tudo já foi dito.

Em Belo Horizonte , Marcio Lacerda, apoiado por Fernando Pimentel e Aécio Neves, foi o eleito. Mas a parada foi muito mais difícil do que os seus padrinhos e apoiadores esperavam.

A campanha, que foi dura e marcada por reviravoltas, desaguou num segundo turno digno dos maiores pesadelos dos eleitores belorizontinos de esquerda. Ficamos entre a cruz e a caldeira. E optamos pelo mal menor.

No primeiro turno, após o início da propaganda eleitoral gratuita, aproveitando o enorme tempo de TV que sua extensa aliança lhe proporcionou, Lacerda teve uma arrancada espetacular. Muitos esperavam que ele vencesse na primeira etapa. Aí, o poste sentou-se na cadeira de prefeito antes da hora, não participou de debates organizados por entidades de classe e viu todos os seus adversários se unindo para atacá-lo.

Nesse meio tempo, Jô Moraes, a minha candidata, que representava a esquerda descontente com a união PT-PSDB, começou a perder espaço. Ela tinha pouco dinheiro e pouquíssimo tempo de televisão, que além disso foi muito mal aproveitado. Contava apenas com uma militância muito aguerrida do PCdoB e de dissidentes do PT, que não bastou. Então, nesse vácuo, surgiu o grande fato novo nas eleições de Belo Horizonte: Leonardo Quintão.

Ele tinha, no primeito turno, mais ou menos o quádruplo do tempo de TV de Jô e a metade do de Lacerda. Soube tirar proveito disso. Assumiu o papel de bom moço, do mineiro que adora uma prosa com pão de queijo e cafezim. Procurou despolitizar a campanha, dizia que era preciso um prefeito que "ouve você". Na etapa final do primeiro turno herdou votos que Lacerda perdeu, votos de Jô Moraes, que foi encolhendo ao longo da campanha, e votos de pessoas que pouco se interessam por política mas que são obrigadas a votar. Conclusão: surgiu uma onda Quintão quase irresistível . Encostou em Lacerda no primeiro turno e disparou no início do segundo, a ponto de me fazer queimar a língua feio.

Aí, o que foi um trunfo no primeiro turno virou uma fraqueza no segundo. Quintão se apegou ao seu discurso de candidato "gente-como-a-gente" - ou será que ele só tinha esse? - e começou a perder muitos pontos à medida em que os debates no segundo turno foram acontecendo e foi ficando clara a superficialidade das suas propostas.

A campanha negativa levada a cabo por Lacerda também foi de extrema importância para conter a onda Quintão. Ela foi tão eficaz que os eleitores começaram a ter vergonha de declarar que votariam no peemedebista. Além disso, houve a famosa parcialidade da mídia mineira, que mal pôde disfarçar sua preferência pelo candidato do "nhô" Aécio, e o engajamento da classe média belorizontina a partir da segunda metade da campanha do segundo turno. Ocorreram ainda alguns episódios em que Quintão foi pego na mentira. A campanha de Lacerda explorou isso à exaustão e isso enfraqueceu o personagem bom moço encenado pelo peemedebista.

Com isso, Lacerda conseguiu abrir vantagem no finalzinho da campanha e venceu o segundo turno com uma margem de votos relativamente grande. Mas ganhou muito mais pela tibieza do adversário do que pelos seus próprios méritos ou de sua aliança.

Será interessante observar agora como vai se reorganizar o PT mineiro, que saiu rachado dessa campanha. Será que o PT se considerará derrotado, pois perdeu a prefeitura que administra com sucesso há vários anos, dividiu-se e uma importante dissidência ficou ressentida e se sentiu desprestigiada? Nesse caso, essa derrota política será depositada na conta de Fernando Pimentel e o grupo de Patrus Ananias se fortalece. Será que ele vai se considerar um vitorioso, já que oficialmente apoiou o Lacerda, inclusive indicando o vice? Aí é Pimentel em 2010.

sábado, 25 de outubro de 2008

Último debate de BH

Descrição do debate para a prefeitura de Belo Horizonte realizado pela rede Globo : decepcionante. Não acrescentou nenhuma informação ao eleitor. Ou seja, foi um empate. Mas não um empate qualquer, foi um 0 x 0.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Novos números em BH

Nova pesquisa em BH, dessa vez do EM Data/Veritá, dá vantagem a Marcio Lacerda. No entanto, devemos analisá-la com um certo pé atrás, pois o Estado de Minas é um notório aliado de Aécio e funciona como uma espécie de imprensa oficial do Estado. Mas os números são muito favoráveis a Lacerda, há apenas 3 dias da eleição, e, se forem verdadeiros, confirmam a tendência de forte atrofiamento da candidatura Quintão e o conseqüente ganho de musculatura de Lacerda.






Enquanto a campanha de Lacerda parece ter definitivamente entrado nos eixos, a de Quintão parece perdida. No programa eleitoral de ontem à noite, ele apareceu menos do que a Jô Moraes. Parece que ela foi designada para falar de coisa séria, que interesse à população - orçamento participativo, programas de qualificação do trabalhador, etc- , e ele ficaria encarregado de falar as besteiras de sempre: "gente tem que cuidar de gente", "eu quero ser herói dos meus filhos...

O grande problema é que, na minha opinião, é justamente essa insistência em frases feitas, em despolitizar a campanha, que tem feito com que a população se canse de Leonardo Quintão. Pelo debate da TV Alterosa, da última quarta-feira, eu achei que ele tinha detectado isso e mudaria a estratégia. Mas não, ele está persistindo no erro.


Outra coisa que parece estar contribuindo muito para a queda de Quintão nas pesquisas é o fato de ele ter sido pego na mentira várias vezes. Sobre aquele vídeo em que ele dizia, na campanha do seu pai em Ipatinga, que eles iriam ganhar e chutar a bunda dos adversários, por exemplo, ele deu várias explicações. Disse, entre outras coisas, que estava "brincando de futebol e política", depois, que estava falando que iria "chutar a bunda de corruptos" e completava: "Cá entre nós, eles não estão merecendo um chute na bunda?". A explicação à acusação leviana de que Lacerda não tinha sido preso político na ditadura militar, mas sim preso comum por ter assaltado um banco, é ainda pior.Primeiro ele disse que sua acusação se baseou em "laudos oficiais" que ele lera. Depois, negou que tenha dito isso, dizendo que ele apenas reagiu com surpresa à afirmação de uma pessoa que estava presente ao debate do jornal O Tempo. A campanha de Lacerda, espertamente, tem usado as inserções na TV para confrontar o vídeo em que Quintão aparece fazendo a acusação e o em que ele a desmente. Isso tem pegado muito mal para o peemedebista. Não é preciso lembrar o quanto a mentira, quando comprovada, é repudiada pela população, né? Ou vocês não se lembram do Ciro Gomes em 2002?

Isso tudo para não falar da eficiente campanha negativa que o grupo de Lacerda tem feito pelas ruas da cidade e da verdadeira bigorna que Quintão tem sido obrigado a carregar morro acima - o apoio de Newtão.

PS : Hoje o bicho vai pegar no debate da TV Globo!

Por que votar na Marta?

Responder a pergunta acima é muito fácil, tenho inúmeros argumentos: foi ela quem criou os CEUs, o bilhete único, foi pioneira na defesa dos direitos das minorias, etc. Mas como não quero passar a noite toda escrevendo aqui, vou me limitar a um assunto que me é muito caro: a saúde pública.

O atual prefeito, Gilberto Kassab, tem usado como uma de suas principais bandeiras as “grandes obras” na saúde, cujo carro-chefe são as AMA. E tem dito algumas parvices como essa: “A AMA, ela fez alguma AMA? Hospital, ela fez algum hospital?... ela não fez nada.”

A Marta não fez nada? Ela “só” municipalizou a saúde, tirou São Paulo do atraso e cumpriu a constituição, praticamente recomeçando do zero a implantação do SUS na cidade! Foi somente em 2001, sob o comando da petista, que São Paulo se transformou em cidade com gestão plena do sistema municipal de saúde. E que dificuldade ela teve para conseguí-lo! Não foi fácil estruturar todo o sistema público de saúde de São Paulo que tinha sido destruído pelo PAS de Maluf e Pitta, a quem Kassab serviu com fervor e zelo. E foi graças a essa municipalização que o atual prefeito pôde investir nas AMA, que ele diz maravilhas, mas que na realidade não passam de postos de saúde com batom e rímel.

O que dizer das AMA? Esses”puxadinhos” são unidades de atendimentos especializados de baixo grau de complexidade, que funcionam muito mal e são administrados por terceiros ( o prefeito diz que com isso economiza dinheiro. Eu diria que não é na saúde que se deve economizar dinheiro, mas sim, por exemplo, não criando algumas secretarias que ninguém sabe para que servem. Ademais, a saúde pública deve receber uma atenção especial do Estado, que não deveria em hipótese alguma passar a responsabilidade para terceiros). Além do mais, a construção dessas unidades são em detrimento do investimento em UBS (unidades básicas de saúde) e PSF ( programas de saúde da família), que, esses sim, economizam dinheiro público de maneira eficiente e ética, pois são importantes unidades de atendimento primário que visam a prevenção de doenças, o pré-natal, a puericultura e o acompanhamento mais pormenorizado de doentes crônicos, evitando que eles padeçam de doenças futuras ou agudizações das preexistentes.

Vamos comparar: Kassab maquiou 99 UBS e passou a chamá-las de AMA ( construiu apenas 11 novas), que serviram, em última análise, para desintegrar ainda mais um sistema que estava começando a se estruturar. Marta criou 45 UBS, restaurou outras tantas e colocou 800 equipes de PSF à disposição da população paulistana ( hoje temos 1052 equipes, ou seja, muito pouco foi acrescentado nos últimos 4 anos). Vale a pena repetir: tudo isso depois do desastroso PAS idealizado por Maluf e continuado pelo seu fiel escudeiro Pitta, de quem Kassab foi braço direito. Além disso, transformou São Paulo em uma cidade com gestão plena do sistema municipal de saúde, o que não é pouca coisa, e montou o esqueleto do SUS, que deveria ter sido mais bem aproveitado pela atual administração.

Kassab, se quisesse realmente beneficiar o povo de São Paulo, e não criar um "marca", deveria ter se preocupado em integrar melhor o sistema público de saúde, aproveitando o bom planejamento deixado pela Marta. Além disso, poderia ter ampliado a rede de atenção básica e melhorado a logística de encaminhamento de pacientes para unidades de atendimento secundário e terciário, através de convênios com hospitais públicos, filantrópicos e privados, pois esses não faltam na cidade. Mas ele preferiu fazer coisas que dão mais visibilidade, que não necessariamente coincidem com o que é melhor para a cidade, seguindo o exemplo do seu padrinho Paulo Maluf.

Comparar Marta com Kassab em qualquer área da administração pública é covardia, mas na saúde chega a ser sacanagem...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Por que Barack Obama está vencendo?


A resposta a essa pergunta está nessa sensacional reportagem da Time. Não deixem de ler.

O terceiro debate

As novas pesquisas confirmam a tendência de reversão do quadro nas eleições de BH:

Ibope: Lacerda 45% X 44% Quintão

Datafolha: Lacerda 45% X 40% Quintão

Vox Populi: Lacerda 42% X 39% Quintão

Esses números, fresquinhos, com certeza influenciaram na postura dos candidatos no debate da TV Alterosa. Logo no início era possível detectar uma asfixiante tensão no ar, então, no primeiro bloco, os candidato partiram logo para o clinch. Iniciaram respondendo as perguntas dos jornalistas diretamente para o eleitor, sem provocações. Mas no segundo bloco...

Aí a coisa esquentou. Quintão resolveu partir para cima repetindo várias vezes que Lacerda ainda tinha que responder à justiça pelo seu envolvimento com o mensalão. Quantas vezes Lacerda negasse o envolvimento, Quintão o reafirmava. Com isso o candidato do PSB foi perdendo o controle. Era possível perceber suas mãos e sua voz trêmulas. Enfim, ele perdeu o rebolado, não soube se sair bem quando foi às cordas. Ele ficou tão atarantado após os ataques que, quando foi a sua vez de fazer a pergunta, ele ficou por vários segundos procurando-a em seus papéis e não teve tempo de completá-la. Marcio não conseguiu se recuperar até o fim do debate.

Nesse debate, nitidamente, Quintão foi orientado a mudar de atitude. Parou com aquele amontoado de frases feitas e procurou mesclar propostas e ataques ao adversário. Ele se saiu muito bem usando essa tática.

Uma coisa muito interessante no debate foi que os mais persistentes ataques que eles fizeram foi o de acusar um ao outro de... direitista! Quintão perguntou mais ou menos assim: "Candidato, você tem dito que temos duas candidaturas bem diferentes em BH: uma de centro-esquerda e uma de direita , que representa o atraso. Quem é quem nessa história?" Aí criou-se a confusão, cada um reinvindicando para si a condição de candidato de esquerda e empurrando para o outro a pecha de direitista. Lacerda dizia que tem apoio do PT e ele próprio é do PSB, e Quintão rebatia dizendo que é apoiado pela esquerda do PT e pelo PCdoB e que Marcio é apoiado pelo direitista Gustavo Valadares (DEM) e pelos tucanos. Parece que não pega muito bem ser de direita em Belo Horizonte!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Agora a eleição ficou indefinida


Hoje foi publicada uma nova pesquisa do DataTempo/CP2 que confirmou a minha percepção: definitivamente houve uma reflexão da onda Quintão. Mas mais bruscamente do que eu estava esperando. Agora, a disputa está empatada:

Leonardo Quintão ( PMDB) : 39,95 %

Marcio Lacerda ( PSB) : 39,83%

Eu, no meu último post, tinha detectado um certo cansaço da população com o discurso de Quintão, mas eu não tinha certeza se Lacerda seria capaz de tirar proveito disso e roubar os votos do peemedebista. Ele conseguiu, parcialmente. Lacerda subiu 10,43% em relação à pesquisa anterior, enquanto Quintão caiu 14,39%. Ou seja, um terço dos eleitores que deixaram de ter a intenção de votar em Quintão não passaram para o lado de Lacerda. Ou ficaram indecisos ou optaram por branco/nulo. Isso confirma uma frase que eu escrevi num comentário lá no NPTO : " ... as pessoas desanimam de Quintão, mas não animam em votar em Lacerda".

Lacerda tem sido mais eficiente na campanha negativa contra Quintão, pelo menos essa é a impressão que eu tenho tido andando pelas ruas de Belo Horizonte. Em cada esquina você encontra panfletos com foto do Leonardo Quintão junto com Newton Cardoso ou desancando a atual administração do prefeito de Ipatinga, Sebastião Quintão (pai de Leonardo). No entanto, a rejeição ao acordão (principalmente por parte de uma parcela dos eleitores politizados de esquerda) e o carisma de José Serra e expressividade de cigano Igor de Marcio Lacerda tem sido um pararelepípedo no sapato do "poste". São essas e outras que fazem com que um voto perdido por Quintão não seja um voto ganho por Lacerda.

As notícias agora são de que a campanha de Leonardo Quintão partirá para cima de forma mais agressiva. Voltará a acusar Lacerda de "mensaleiro", apontará Virgílio Guimarães (coordenador da campanha do Marcio) como o homem que tirou o "mensalão" de BH e levou para Brasília e atacará a aliança "incoerente" que apóia Lacerda. Será que vai dar resultado?

E hoje tem um debate na TV Alterosa que promete ser quentíssimo. A quem interessar, o debate passará ao vivo, às 22:30 hrs, aqui e aqui. Eu não perco por nada.

PS: Mais tarde, ou amanhã, eu falo um pouco sobre os motivos desse cansaço da população em relação a Leonardo Quintão.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Debate em BH

Vou reproduzir aqui um comentário que fiz ontem lá no blog do Idelber, no calor da hora, sobre o debate da Rede Record em BH:

"Bom, o debate de hoje na Rede Record foi, na média, bem melhor do que o da Band. Houve mais confronto, menos "joguinho de comadres".

No início do debate, teve uma pergunta de um jornalista sobre a campanha negativa dos candidatos. Nesse momento houve uma certa tensão, troca de acusações. Lacerda disse que a alegação de Quintão de que foi agredido em um debate na faculdade de Direito da UFMG não passou de armação e que tem provas disso. Quintão não rebateu essa acusação de modo convincente. O candidato do PSB também foi bem nesse momento ao não falar diretamente do "mensalão", como ele fez por várias vezes no debate passado. Agora ele preferiu dizer que tem sido vítima de "acusações infundadas", "golpes baixos",etc.

Nesse debate Quintão me pareceu bastante inseguro. Nas respostas, em geral de 2 minutos, ele repetia várias vezes a mesma frase,dando a impressão de que não tinha muito a dizer, de que estava "cozinhando o galo" esperando o tempo passar. Repetiu várias vezes que ele é a continuidade do projeto de Patrus e Célio de Castro, o que me pareceu um tanto quanto ridículo. Além disso, uma de suas peguntas foi mais ou menos assim: " O PMDB é o maior partido do Brasil.Tem mil e tantos prefeitos, seis ministros. O que você acha do meu partido?" Além de desperdiçar uma pergunta, ele levantou a bola para o Lacerda, que soube tirar proveito da pergunta idiota.

Além disso, Quintão em alguns momentos parecia um pouco atordoado. Algumas vezes, principalmente no início do debate, quando ele estava respondendo uma pergunta ele ficava tentando completar a resposta da pergunta anterior, fazia uma confusão danada e não respondia nenhuma das duas.

Lacerda, que mais uma vez foi muito mais propositivo, mais articulado, teve alguns erros também. Por exemplo, no segundo bloco, se não me engano, ele falou que estava tudo bem com a saúde, faltava apenas alguns ajustes, e tal. Aí, Quintão lembrou que a prefeitura tem tido dificuldade em contratar médicos para atender nas áreas mais afastadas do centro. Ou seja, uma bola fora do "poste". Nunca se pode dizer em um debate que está tudo bem com a saúde! Quando Lacerda foi perguntado sobre uma nova rodoviária no Calafate, que estaria sendo idealizada pela atual gestão e que é muito impopular na região, ele disse que ia ver, que confia no atual prefeito, que conversaria com ele para não abrir a licitação por enquanto, que faria só se não tivesse jeito... Não mostrou segurança na resposta. O candidato do PMDB disse: "Eleitores de Calafate, eu assumo o compromisso com vocês de que essa rodoviária não será feita!". Ganhou pontos.

De um modo geral,Quintão repondia com suas conhecidas generalidades ("vou cuidar de gente", "isso dá pra fazê", " vou fazer um governo de coalizão", " vou conversar com todos", "vou dialogar com você") e Lacerda procurava fazer algumas propostas, de maneira mais articulada. No entanto, o "Pimentécio" , tentando parecer auto-confiante e confiável (" eu sei como fazer", "fiz isso minha vida toda","eu tenho experiência", etc), andou o tempo todo em cima da linha que separa a auto-confiança da arrogância,e pode ter pendido mais para essa última na opinião de alguns eleitores. Só por isso eu não digo que Lacerda venceu o debate ( lembram daquele famoso debate entre Critovam Buarque e Joaquim Roriz? O primeiro venceu tão claramente, foi tão melhor, que a população achou que ele foi arrogante e humilhou Roriz, que acabou vencendo a eleição). Vou ter que esperar a repercussão".

***

Uma opinião interesante sobre a disputa eleitoral em BH foi publicada por Kennedy Alencar na sua coluna na Folha Online. Ele disse que estaria ocorrendo uma "reflexão sobre a onda Quintão" e que seria possível uma nova virada.

Acho que pode ser que ele tenha uma dose de razão. Eu também tenho a impressão de que Quintão bateu no teto e seu discurso está cansando a população. No entanto, não sei se Lacerda conseguirá aproveitar esse cansaço e tirar votos do seu adversário.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Querida, o candidato encolheu!



A impressão que eu tinha de uma onda pró-Quintão aqui em BH se confirmou com a publicação da pesquisa que mostra Quintão quase 30% à frente de Lacerda nas intenções de voto para o segundo turno, quando se considera apenas os votos válidos. Nessa pesquisa, do instituto DataTempo/CP2, o candidato do PMDB tem 64, 89% das intenções de voto , enquanto o "poste" Lacerda tem 35,11% .

Um detalhe muito relevante é que,de acordo com a pesquisa, Lacerda teria menos votos no segundo do que no primeiro turno. Corre assim o risco de igualar o feito de Geraldo Alckmin, "o incrível candidato que encolheu", na eleição presidencial de 2006.

Agora, salvo uma catástrofe, o candidato "gente-como-a-gente" tem tudo para conquistar a prefeitura da terceira cidade com maior orçamento do Brasil. Só nos resta torcer para que ele não faça muita merda e a cidade não ande para trás, e para que, com o vexame a que Pimentel se submeteu, o grupo de Patrus Ananias no PT se fortaleça e indique o candidato a sucessão de Aécio em 2010 ( se possível o próprio Patrus).

PS1: Clique na imagem acima para vê-la em tamanho apropriado.

PS2: Clique aqui para ler a reportagem d"O Tempo" sobre a pesquisa.

PS3: Ah, Pimentel, se eu pudesse eu te dava um cascudo!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O "bom burguês" X "gente-como-a-gente"


O debate de ontem da TV Bandeirantes entre Marcio Lacerda e Leonardo Quintão foi, conforme eu esperava, morno, bem comportado. Respeitoso e cordial demais. Cada qual seguindo seu figurino: Lacerda faz o papel de "bom burguês" e Quintão, de "gente-como-a-gente". A pegunta é: houve vencedor? Depende do ponto de vista...

Lacerda mostrou-se mais propositivo. Invocava , sempre que podia, sua experiência como administrador de sucesso e seu passado de luta contra a ditadura militar. Citando números e mais números, passou a impressão de ter realmente se preparado bastante para essa candidatura. Falou sobre vários pontos do seu programa de governo, indicou alguns problemas e apontou soluções ( com as quais muitas vezes eu não concordava. Por exemplo, quando se falava dos problemas do transporte, ele pouco falou sobre metrô, preferiu discorrer sobre faixas exclusivas para ônibus e novos túneis e trincheiras).

Já Quintão, a impressão que ele passou era a daquele cara que chegou onde não esperava ter chegado e agora tem que correr atrás do prejuízo. Repetiu umas quarenta vezes que a prefeitura arrecadou 300 milhões de reais a mais que o esperado nesse ano e que ele investiria esse dinheiro "em gente". Seu programa de governo? Não falou praticamente nada sobre ele durante o debate. Disse apenas generalidades. Sempre que instado apontar soluções para um problema, ele se saia com um "vou dialogar com as partes interessadas" ou "é preciso sentar e conversar com a população".E usou e abusou do seu sotaque caipira e do seus bordões : "isso dá pra fazê" e "é você que vai decidir,eleitor" ( esse último eu acho muito bem bolado. O subtexto é : " você não pecisa votar em quem o governador e o prefeito querem que você vote. O poder de decidir está em suas mãos")

No conteúdo, indiscutivelmente, venceu Lacerda. Mas na forma, no jogo de cena... Aí, o candidato "gente-como-a-gente" levou grande vantagem.

Não há como negar: Quintão é um cara muito carismático. Ele força um sotaque, fala errado, faz gestos, faz questão de parecer bom moço, enfim, é um grande ator ( eu defendo a tese de que cada dia mais temos políticos-atores)... Parece que você está tendo uma conversa informal com o seu jornaleiro. Na minha opinião, num debate como esse, o jogo de cena é muito mais importante que o conteúdo. Lacerda , com o seu jeito que mistura a falta de expressão do cigano Igor e a falta de carisma do José Serra, terá muita dificuldade em atrair votos em debates televisivos.

Outro erro estratégico importante do Lacerda foi o de ficar o tempo todo tocando no assunto do "mensalão". Sua campanha avalia que ele perdeu 150 mil votos no primeiro turno por causa de e-mails e cartazes apócrifos que diziam que ele recebeu dinheiro do "mensalão" mineiro. Ora, não é preciso ser um gênio para saber que se você é vítima de uma acusação a melhor estratégia para se ver livre dela é fazer de tudo para que ela seja esquecida, e não ficar batendo na tecla de que é inocente, sem que isso lhe tenha sido sequer perguntado. Mas Lacerda, na sua primeira e na sua última participação fez questão de repisar no assunto. Tenho a impressão que ele mais perdeu do que ganhou com isso.

***

Tendo como base o crescimento de última hora da candidatura de Leonardo Quintão e as conversas que venho tendo com as pessoas aqui em BH, a impressão que eu tenho é que estamos tendo uma onda favorável à Quintão aqui.

E vai ser difícil segurar essa onda. Por quê? Porque Lacerda chegou ao segundo turno montado nas costas de Pimentel e Aécio. Antes da campanha ninguém o conhecia, mas com essa aliança enorme em torno do seu nome, era esperado que ele chegasse onde chegou. Mas, esse apoio que foi o grande responsável por ele estar no segundo turno, é também motivo de grande rejeição(estou me baseando apenas na minha percepção. Não tenho conhecimento de nenhuma pesquisa nesse sentido). Os eleitores estão gostando da idéia de mandar o recado: " Ei, governador. Ei , prefeito. Não vamos aceitar imposições. O voto é meu e eu voto em quem eu quero".

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A crise


Fonte: blog do Paul Krugman ( que reproduziu a charge publicada na revista The Economist, em 1987).

O dia em que meu ouvido virou penico

No meu primeiro dia de trabalho após as minhas férias, ou seja, na sexta-feira passada, eu estava de plantão ( não sei se eu já disse isso aqui: eu sou médico residente em um grande hospital aqui em Belo Horizonte). Como o plantão estava muito tranqüilo e eu já tinha resolvido tudo o que tinha que resolver, eu rumei para o centro cirúrgico, onde estava tendo uma cirurgia raríssima, destinada a extirpar um, também raro, tumor abdominal.

Quando cheguei lá, a sala operatória estava naquele silêncio, todos concentradíssimos. Atrás da equipe que estava efetivamente participando da operação, estava um dos meus preceptores tirando fotos da cirurgia, passo-a-passo. Mas, por ser muito baixinho, ele estava tendo uma dificuldade danada, pois tinha que ficar o tempo todo nas pontas dos pés, a máquina por cima da cabeça dele e da equipe cirúrgica, todo desajeitado. Quando ele me viu dando bobeira lá, não teve dúvidas:

- Bruno, tira as fotos aqui, você que é mais eloqüente.
-?!
-Toma a máquina.
- Beleza.

Confesso que não entendi bem o que ele quis dizer com " você que é mais eloqüente". E também não entendo o que eloqüência tem a ver com isso. Mas, como diz aquele ditado, "manda quem pode e obedece que tem juízo". Não tive escolha: virei o fotógrafo da cirurgia.

PS: eu não tenho nada de eloqüente, o que me leva a crer que ele não sabe o significado da palavra. Acho que ele a ouviu, achou-a bonita e quis usá-la a qualquer custo... :-)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Ele está de volta.


Ele estava fazendo uma tremenda falta à blogosfera brasileira, mas, desde ontem, Mino Carta está de volta com sua olivetti afiadíssima. Seja bem-vindo, Mino!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

BH, Rio, Sampa

Apesar das grandes vitórias das esquerdas nas principais cidades do Brasil, a situação dos três maiores colégios eleitorais do país é preocupante. São justamente as três capitais onde eu já morei e com as quais tenho muita ligação afetiva ( é, já andei o bocado). Morei um ano em São Paulo,em 1998, algum tempo no Rio e atualmente moro em Belo Horizonte.

Aqui em BH, a situação é a seguinte: temos que escolher entre o ruim e o péssimo. Não podemos deixar de lembrar que essa situação é culpa do senhor Fernando Pimentel, e sua ganância desenfreada, e de parcela significativa do PT. Veja bem: antes do início da campanha tínhamos a Morais, histórico quadro da esquerda mineira, disparada na primeira posição. Tínhamos outro importante quadro , o Sérgio Miranda, disposto a concorrer. E, tínhamos uma parcela do PT, liderada por Patrus e Dulci, que não queriam nem ouvir falar em aliança com Aécio Neves e seus sabujos. Além disso, BH estava há 16 anos sendo governada pelo PT e aliados com muito sucesso e muita aprovação popular. O quadro anunciado era o de uma estrondosa vitória de qualquer candidato que se lançasse por uma coligação de esquerda minimamente unida ( uma chapa Patrus/ ou /Dulci seria imbatível). Pois não é que o Pimentel e seu aliados conseguiram estragar tudo!

Eles conseguiram costurar uma aliança informal com o PSDB e formal com outras siglas menores e com isso deixar aliados históricos ,como PCdoB e PDT, a ver navios. Consequentemente, as candidaturas de esquerda afundaram ( não tinham apoio, nem dinheiro, nem tempo de televisão decente) e teremos um segundo turno entre um poste, filhote da dupla Aécio/Pimentel, e um carola filhinho de papai.

Está difícil fazer uma escolha entre esses dois. Mas, como nunca anulo meu voto, optarei pelo que eu acho que seja o mal menor. Apoiarei, sem nenhum entusiasmo, envergonhado, o candidato Marcio Lacerda.

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No Rio de Janeiro a coisa também é complicada. Por pura burrice e falta de habilidade política dos partidos de esquerda, que não conseguiram unir forças em torno de Jandira ( a candidata do campo progressista com mais chances de vitória no início da campanha) teremos um segundo turno entre o neo-direitista Gabeira e o filhinho rejeitado do César Maia, Eduardo Paes. É duro de escolher.

Eduardo Paes é aquele que durante a crise política de 2005 e 2006 fazia bravatas aos quatro ventos, pedindo, irresponsavelmente, o impeachment do presidente Lula. Ele era uma estrela em ascenção do PSDB e uma das vozes mais ouvidas da oposição, mas quando Cabral o convidou para se filiar ao PMDB, e consequentemente fazer parte da base aliada, e ocupar uma secretaria no governo do Estado, ele não pensou duas vezes e mudou de barco. Pesa ainda contra ele a acusação de ser o candidato preferido das milícias.

Gabeira... De ex-comunista a candidato da Globo, do PSDB e do Armínio Fraga. Da luta de classes ao "choque de gestão". Famoso por defender a descriminalização da maconha ( eu também sou favorável), agora ele não quer mais gastar energia com esse assunto. Essa é a coerência do Gabeira!

Em 2005, ele deu uma entrevista para a Veja esbanjando preconceitos contra Lula e o PT ( era a época da radicalização da mídia e da oposição contra o governo. A época do " vamos acabar com essa raça"). Veja essa resposta e tire suas conclusões:

"Veja – Em que momentos o senhor percebe esse deslumbramento?

Gabeira – Em muitos momentos. A chegada ao governo significa uma ascensão social, pelo menos nessa circunstância. Você passa a desfrutar de bens materiais superiores aos que desfrutava antes. E quando você chega ao governo no bojo de um grande movimento social, muito admirado e cortejado, isso contribui para que você, de certa maneira, perca o rumo. E aí você vai ver as pirâmides, tirar foto ao lado das pirâmides, comprar um avião... Isso tudo aconteceu com Lula e, no seu caso, houve ainda a agravante de ele não ser uma pessoa inquieta, do ponto de vista intelectual."

A imagem que muitos tem de Gabeira é a de um homem corajoso que enfrentou o presidente da Câmara na época, Severino Cavalcanti. Só se esquecem que ele foi uns dos que ajudaram a eleger Severino, apostando no quanto pior melhor, só para afrontar o governo, que apoiava outro candidato.

Muitos alegam que votam no Gabeira porque ele tem uma história. Concordo, uma bela história. Só que infelizmente ele resolveu mudar de lado, assim como outro homem de história: FHC. Tanto ele mudou de lado que agora no segundo turno, além do PSDB, ele contará com o apoio do DEM, do César Maia.

Por essas e outras, vou ter que timidamente, envergonhadamente, apoiar o Eduardo Paes, o mauricinho.

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Em São Paulo, a Marta vai ter uma batalha duríssima contra o Kassab. A tendência é de a grande maioria dos eleitores de Alckmin ir para o atual prefeito. Além disso, o Kassab está em trajetória ascendente, enquanto Marta está estacionada (ou em ligeira queda).

A ex-prefeita tem ainda contra ela uma poderosa máquina municipal e estadual, além do tradicional conservadorismo da classe média paulistana.

Eu estou com a Marta, mas vai ser muito difícil!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Voltando

Bom, pessoal, estou de volta. Não morri como alguns pensaram, apenas estava de ( merecidas!) férias, viajando. Cheguei ontem à minha querida BH.

Vamos à política.

Infelizmente, meus temores em relação à eleição para prefeito de BH estão se confirmando. Quando saí de viagem, há um pouco mais de 1 mês, Marcio Lacerda acabara de ultrapassar Jô Moraes ( mas eles ainda se encontravam em empate técnico), e eu temia que o Leonardo Quintão( PMDB) se fortalecesse, pelo fato de ter uma melhor estrutura de campanha, e também ultrapassasse a candidata do PCdoB. E para o meu desgosto isso aconteceu. E pior: corre-se o risco de a eleição ser decidida no primeiro turno.

Na minha opinião, uma vitória de Lacerda não é um desastre. Desastre seria uma vitória de Quintão. Portanto, melhor uma vitória de Marcio no primeiro turno do que um segundo turno entre ele e Quintão.

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Ontem, durante meu vôo de volta, eu estava sentado ao lado se duas senhoras:

(senhora 1) - Como será que estão as eleições lá em São Paulo? Será que vai dar Marta?
(senhora 2) - Pelamordedeus!!!! Ninguém merece a Marta!
(senhora 1) - Marta de novo não dá.
(senhora 2) - Odeio ela.
(senhora 1) - Tenho nojo dela.
(senhora 2) - Eu queria que o Kassab ganhasse.
(senhora 1) - Ah é? Por quê?
(senhora 2) - Ah, sei lá, eu acho ele tão simpático.
(senhora 1) - E você, vai votar para quem?
(eu) - Eu não voto em São Paulo, mas se eu votasse votaria na Marta.

Seguiu-se um silêncio constrangedor. As duas velhinhas se entreolharam e acharam por bem mudar de assunto e me deixarem no meu canto com o meu livro.

Isso me lembrou, pela argumentação inusitada, uma discussão que tive com minha avó às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2006. Ela defendendo o Alckmin e eu, o Lula. No auge da discussão quando já lhe faltavam argumentos, ela me saiu com uma pérola que matou a contenda:

- Bruninho, você é tão bonito, por que anda tão encantado com o Lula e com esses feiosos do PT ?

Lógico que depois dessa caimos na gargalhada e a conversa foi para outro caminho. Essa era uma astuciosa senha para mudarmos o rumo da prosa.

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A cobertura do Idelber e do Pedro Dória do debate entre os candidatos a vice-presidentes dos EUA foi fantástica. Já o debate nem tanto. Foi um pouco morno.

Palin não foi um desastre como o esperado. Fez um belo jogo de cena, usou e abusou do charme e quando o assunto estava dentro do que ensaiou ela conseguia se sair muito bem. No entanto, quando fugia do script ela se mostrava um tanto quanto insegura, hesitante, gaguejante.

Já Biden, na minha opinião, foi muito bem. Não cometeu gafes, nem pareceu arrogante ou sexista em nenhum momento. Foi duro, incisivo, na medida certa. E mirou em quem devia mirar: John McCain. A todo momento ele procurava pontuar as diferenças de conduta e de propostas entre Obama e o candidato republicano, e mostrar o quanto esse último é próximo de Bush e Cheney, pois sempre votava a favor das propostas do governo nos assuntos que realmente interessavam ( tentando colocar em xeque a fama de "Maverick" de McCain). Seu ponto alto foi o momento em que ele se emocionou ao se lembrar dos filhos e da esposa mortos. E, conforme bem lembrou o Pedro Dória, Palin perdeu pontos nessa hora quando " foi incapaz de fazer um comentário gentil imediatamente após".

PS: Felizmente, de acordo com as primeiras pesquisas, os eleitores americanos tiveram a mesma percepção que eu, ou seja, de uma clara vitória do democrata.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Jô Moraes em apuros

Foi dura a volta à vida normal após a viagem onírica das olimpíadas. Quase tive síndrome de abstinência.

Teria sido mais fácil para mim se, ao ler as outras partes dos jornais que eu desprezei durante os Jogos Olímpicos, eu só encontrasse boas notícias. Não foi o caso.

A minha candidata a prefeita de Belo Horizonte, Jô Moraes ( PC do B), caiu quatro pontos percentuais na última pesquisa Datafolha. Seu principal adversário, Marcio Lacerda( PSB), subiu 15. Para completar, Leonardo Quintão ( PMDB) pulou de 9% para 13% das intenções de voto. Agora o quadro é o seguinte:

Marcio Lacerda - 21%
Jô Moraes - 17%
Leonardo Quintão - 13%
Os outro têm 4% ou menos.

O que fez Lacerda pular do empate técnico com a candidata do PSTU, Vanessa Portugal, para a ponta? Fácil: o início do programa eleitoral obrigatório. O candidato do PSB conseguiu, com o apoio de Aécio Neves ( PSDB) e Fernando Pimentel(PT), e um empurrãozinho do Lula, uma ampla coligação que o proporciona o maior tempo de programa eleitoral:onze minutos e quarenta e sete segundos. Quintão tem pouco mais de 5 minutos e Jô tem menos de 2 minutos.

E os programas, que diferença! O de Lacerda, profissional, à Duda Mendonça. O da comunista parece ser feito no fundo do quintal com uma câmera de celular. Lembra os do José Maria, do PSTU, quando foi candidato a presidente.

Marcio Lacerda se apresenta como o "candidato da aliança" e o tempo todo aparecem Pimentel e Aécio juntos pedindo votos para ele. Isso tem um peso enorme, pois os dois fazem governos muito bem avaliados. Justamente por causa da boa relação que eles estabeleceram entre prefeitura e governo do Estado, na opinião de grande parte dos belorizontinos. E, como sua coligação é muito grande, nos santinhos, outdoors e adesivos da maioria dos candidatos a vereador aparecem o seu nome.

E tem mais, esse epíteto de "candidato da aliança" cala muito fundo no povo de Minas Gerais. Nós mineiros adoramos, somos fascinados, por políticos capazes de grandes entendimentos, acordos, conchavos. Isso é um fato. Não sei se tem algum estudo sociológico sobre isso, mas essa é a mais irrefutável verdade.Iisso não é necessariamente ruim. Depende das alianças e do momento histórico. Foi bom , necessário, durante o governo JK, para que ele chegasse até o fim, e durante a redemocratização com o Tancredo Neves. E por diversas vezes foi ruim, fazendo Minas Gerais patinar e ser o Estado em que o " reformismo conservador", tão típico do Brasil, e a "ditadura da maioria" atingissem o seu apogeu.

Por causa de tudo o que disse acima, prevejo uma campanha dificílima para Jô. Para reverter o quadro, quase todo desfavorável, ela vai ter que inovar. Mas como?

Empiricamente, tenho notado uma insatisfação difusa na população de BH, principalmente entre os eleitores históricos do PT ( a recente declaração de Patrus Ananias de que pode apoiar Jô pois não conhece Lacerda, pode contribuir ainda mais para isso). Muitos estão inconformados com o que consideram personalismo excessivo de Pimentel, que não esconde de ninguém que pretende fazer o sucessor e, com isso, abrir caminho para ser o indicado para disputar o governo do Estado com essa mesma aliança que apoia Lacerda. E o Aécio? Esse, que não é bobo nem nada, acha que o êxito desse entendimento o cacifaria para ser o candidato a sucessão de Lula. E não como o anti-Lula ( esse seria o espaço do Serra), mas o pós-Lula.

Jô, então, deveria aproveitar essa insatisfação e capitalizá-la. Fazer uma campanha inteligente, moderna e que não necessite um gasto exorbitante de dinheiro , que, a julgar pela qualidade dos seus programas eleitorais, ela não deve ter de sobra. Usar e abusar da Internet, dos blogs ( tenho certeza que entre os blogueiros Jô ganha de lavada). Apoiar-se na grande boa vontade que uma parcela significativa da classe média culta tem com ela. E, deveria também, aproveitar-se da hesitação que Lula e Patrus mostraram recentemente em apoiar Marcio Lacerda, e colar sua imagem na deles, que são muito bem avaliados por essas bandas.

Enfim, a grande tacada é Jô conseguir polarizar a campanha contra Lacerda e ir para o segundo turno. Se tiver sucesso nisso, aí suas chances aumentam muito, pois no segundo turno o tempo de programa eleitoral é o mesmo para os dois contendores e ela, num embate frente a frente com Lacerda, leva vantagem. E, além disso, não vai ter um enxame de canditados a vereador em campanha inundando a cidade com santinhos que levam o nome deles e o de Lacerda.

Bom, temo que eu tenha sido um pouco genérico nessas minhas considerações, mas terei outras oportunidades de esmiuçar melhor o tema.

PS: Nessas eleições para prefeito de BH não esperem imparcialidade desse blog! :-)

domingo, 17 de agosto de 2008

A nova revolução russa

A Rússia fez uma verdadeira revolução no tênis feminino. Nada mais nada menos que 5 tenistas russas estão entre as top 10 do ranking mundial. Nos 4 principais torneios disputados nesse ano ( aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e olimpíadas) havia pelo menos uma russa nas semifinais. Em 3 deles, ao menos uma na final.

Hoje, a decisão da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim foi entre Dinara Safina e Elena Dementieva. Um jogaço.

Safina começou melhor, jogando com muita raça e agressividade. Não dava chances de sua oponente contra-atacar. Dominou o primeiro set e venceu por 6x3. Dementieva parecia derrotada,não encontrando o melhor modo de devolver os golpes poderosos de sua adversária. Parecia questão de tempo para Safina fechar o jogo e levar o ouro para casa.

O que ninguém contava era com o famoso desequilíbrio emocional dessa atleta, irmã do também craque e instável Marat Safin. Quando parecia claro que ela tinha uma marcante superioridade na partida, ela começou a cometer uma dupla falta atrás da outra. Foram 17 no total, um número inimaginável para tenistas desse nível. Esses erros foram minando a confiança de Safina. A cada erro ela parecia atônita, sem saber o que fazer de tão irritada com o próprio saque. Dementieva, que não é boba nem nada, aproveitou-se disso e pressionava cada serviço de sua adversária. Quando Safina forçava o saque, errava. Quando aliviava, tomava um winner.

Não deu outra. Dementieva venceu os 2 últimos sets e levou o ouro.

Mas o mais impressionante de tudo foi o pódio. Num torneio de nível altíssimo, como foi o das olimpíadas, a Rússia tomou conta. Ouro, prata e bronze ( que ficou com a Zvonareva).

Alguma coisa muito significativa foi feita na Rússia nos últimos 10 anos para que tenha surgido uma geração dessa categoria no tênis feminino. Agora eles estão colhendo os frutos.

sábado, 16 de agosto de 2008

Ronadinho, o preferido dos argentinos!

Uma pesquisa, que está no ar no site do diário esportivo argetino Olé, pergunta: Qual esportista, que compete para outro país, é seu favorito?

Numa lista que tem unanimidades como Michael Phelps, Kobe Bryant, Rafael Nadal, Roger Federer, Yelena Isinbayeva quem lidera a pesquisa com mais de 42% dos votos é: Ronaldinho!

Surpreendente, não?

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Veja também a simpática entrevista de Zico para o jornal.

Tênis em Pequim

Quem lê com alguma frequência o blog sabe que eu adoro esportes, mas que o meu preferido é sem dúvida o tênis. Tenho acompanhado com muita atenção os Jogos Olímpicos e dado preferência por assistir a competições que não vejo no dia-a-dia: judô, atletismo, natação... Mas quando entra em quadra Rafael Nadal, Roger Federer ou Djokovic não tem como ficar alheio.

Ontem, Nadal venceu Djokovic, numa partida sensacional, por 2 sets a 1. Qualquer um poderia ter vencido, mas o espanhol está com um confiança inabalável. Hoje ele é quase imbatível.

Nadal venceu o primeiro set por 6 x 4, dominando completamente o seu adversário, que parecia atordoado e abatido com a superioridade do espanhol. Quando todos esperavam que ele entregaria os pontos, Djokovic mostrou porque ele é um dos melhores tenistas da atualidade. Jogando com muita agressividade ele não deu chances ao adversário e venceu o segundo set por 6 X 1.

Bom, Djokovic massacrou o Nadal no segundo set. Então quer dizer que o sérvio entra com mais moral e repete a dose no terceiro, certo? Certo, se do outro lado não estivesse Rafael Nadal.

Nadal recuperou a confiança e fez um terceiro set equilibradíssimo contra o sérvio. Eles alternavam o domínio das ações, às vezes até durante um mesmo ponto, de maneira alucinante. Nadal aproveitou alguns erros do adversário e venceu o terceiro set garantindo uma medalha olímpica. E, não resta dúvida de que ele é favoritíssimo na final contra o chileno Fernando González. É um ouro quase certo para a Espanha.

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Foi muito bom ver Federer sorrindo, divertindo-se em quadra. Jogou, em parceria com Wawrinka, descontraidamente, mas não displicentemente, a semifinal do torneio de duplas. A dupla suiça venceu os número um do mundo e favoritos ao ouro, os irmãos Brian.

Tomara que o ex-número um, que deu declarações, após a derrota para o freguês James Blake , sugerindo que talvez seja hora de parar e descansar um pouco, reencontre motivação para entrar em forma novamente e voltar a fazer frente a Rafael Nadal.

O ouro do Cesão

Finalmente chegou o primeiro ouro do Brasil nos Jogos Olímpicos. E o palco não poderia ter sido melhor. Foi no belíssimo Cubo D'Água e pouco depois de Michael Phelps ter igualado o feito de Mark Spitz, vencendo os 100 metros borboleta e garantindo a sétima medalha de ouro em Pequim.

Cesár Cielo venceu a prova dos 50 metros nado livre quebrando o recorde olímpico, que já era seu desde as semifinais. Ele esteve extremamente concentrado e teve um desempenho magnífico, vencendo todas as séries que disputou dessa prova. Após vencer, deixou a sobriedade de lado e extravasou sua emoção genuína, chorou muito. O choro de quem sabe que um ouro olímpico não é para qualquer um e não é todo dia que se ganha.

E é bom ressaltar: ao contrário do que se lerá e ouvirá por aí , o ouro é dele, só dele, e não do Brasil. Ele o ganhou apesar de ser brasileiro. Sabemos que o país não dispõe de nenhuma política esportiva eficiente, nem para os atletas de ponta nem para a comunidade. Veja uma boa análise disso do colunista do IG e comentarista da ESPN Brasil, Flávio Gomes.

Cabe agora aos cartolas da natação aproveitar o frisson que certamente essa medalha causará e usar isso em benefício da natação brasileira. Fazer justamente o que não foi feito no tênis, que não soube aproveitar o fenômeno Guga e hoje sofre com a falta de talentos.

Para ilustrar: César Cielo tinha 16 anos, morava em Santa Bárbara do Oeste e já fazia sucesso nos torneios de natação. Foi então convidado para treinar no Esporte Clube Pinheiros, na capital paulista. A família se reuniu e decidiu que ainda não era hora de sair de casa, pois ele era muito novo. Alguns dias depois, receberam novo telefonema: dessa vez o convidavam para treinar no mesmo clube, mas com a companhia de Gustavo Borges. A família não hesitou e o garoto foi para São Paulo.

Alguma dúvida quanto ao papel que um ídolo pode desempenhar para o crescimento de um esporte num país? Ainda mais num país carente de política pública voltada para o esporte, como o Brasil?