quarta-feira, 29 de abril de 2009

Correção ao post da Dilma

Ontem escrevi um post sobre a doença da ministra Dilma Roussef. Na parte em que eu falei sobre a quimioterapia a qual ela provavelmente será submetida, eu acho que, traído pela minha torcida, eu minimizei demasiadamente os efeito colaterais potencias desse tipo de quimioterapia. Esses efeitos existem e podem ser preocupantes, embora em sua maioria sejam transitórios. A maioria das pessoas que passam por esse tratamento, no entanto, conseguem controlar esses efeitos adversos e tocarem o barco.

Está aí então o reparo que gostaria de fazer.

terça-feira, 28 de abril de 2009

A doença da Dilma

O assunto do momento é o linfoma da ministra Dilma Roussef. Como ela é pré-candidata à presidência da república, toda sorte de especulações estão sendo ventiladas, na imprensa e na blogosfera. Deixa então eu tentar contribuir para o debate.

1º) O câncer da ministra, ao que tudo indica, foi diagnosticado num estágio muito inicial. Seus médicos disseram que sua chance de cura é maior que 90% (atenção: taxa de cura é diferente de sobrevida em 5 anos ou 10 anos). Não há razão para duvidar das afirmações deles, até porque eles têm dados que nós não temos, como, por exemplo, os genes encontrados no exame realizado na lesão extirpada. Esses genes têm grande importância no prognóstico. Então, contestar a afirmação dos seus médicos usando dados encontrados no google é, no mínimo, uma irresponsabilidade. Tem outro detalhe muito importante, ela está sendo tratada num dos melhores hospitais e pelos melhores profissionais do Brasil. Não duvidem, isso é realmente muito importante.

2º) A quimioterapia a qual a ministra será submetida não é esse bicho-de-sete-cabeças todo, não. Existem novas drogas, que são usadas para esse tipo de linfoma, que são muito diferentes daquelas usadas em outros tipos de câncer. Elas têm muito menos efeitos colaterais e são muito menos debilitantes que as outras. Além disso, ela fará, provavelmente, seis aplicações ao longo de 4 meses. Muito diferente, portanto, daquele tratamento degradante que muitos tem em mente quando pensa em quimioterapia. Eu não tenho razões para duvidar que a ministra poderá seguir trabalhando normalmente durante o período de tratamento.

3º) Toda essa comoção se deve, em grande medida, ao estigma que carrega a palavra câncer. Ora, existem cânceres e cânceres. Vou dar um exemplo da minha área: existem alguns tipos de câncer de próstata que hoje em dia recomendamos apenas acompanhamento, sem nenhum tipo de tratamento! Acreditamos que para esses tipos específicos de câncer o tratamento é mais maléfico para o paciente do que o tumor em si. Nesses casos, o câncer é tão indolente que a pessoa morrerá de outra doença, a mesma que seria a causa da sua morte se ele não tivesse o tumor.

(conheço um político muito importante que teve um tumor de próstata operado há uns 20 anos e está aí na ativa até hoje).

Bom, essa historinha do câncer de próstata que eu contei é só para ilustrar a minha afirmação de que existem cânceres e cânceres...

4º) Outro exemplo para mostrar o quanto a palavra câncer é estigmatizada: alguém se preocupa demasiadamente se esse ou aquele candidato tem insuficiência cardíaca? Tenho certeza que não. Pois saibam que o prognóstico de quem é portador desse tipo de doença é, em média, muito pior do que quem tem linfoma não-Hodgkin de grandes células em estadio 1A. Duvida? Veja esse estudo.

Espero que esse post não tenha ficado muito confuso...

***
Esse assunto todo me lembrou uma eleição para prefeito da minha cidade. Acho que foi em 1992. Tinham 2 candidatos. Cada um representando uma oligarquia local, rivais entre si. Um dos candidatos, o que era apoiado pelo meu pai, tinha na época uns 82 anos. A turma adversária alegava que não era razoável votar nele, pois ele tinha grande chance morrer antes de terminar o mandato. Esse argumento tomou conta da cidade, estava na boca de muita gente. Então, num comício, em cima do palanque, meu pai resolveu retrucar, bradando como um louco:

-- Estão dizendo que não se deve votar num candidato honesto, trabalhador, comprometido com o povo, só porque ele é idoso... Dizem que ele vai morrer antes de terminar o mandato...Pois eu digo: que morram eles! Que morram eles!

"Que morram eles" virou um mote de campanha e o candidato do meu pai acabou vencendo por cerca de 80 votos de diferença. E ele não só completou o mandato como está vivo até hoje, com quase 100 anos (ironia: ele hoje é aliado da turma que dizia que ele não viveria o suficiente para completar o mandato de 4 anos).

domingo, 26 de abril de 2009

Não diga!

"Se nossas bolas tivessem entrado, a história teria sido outra."

Kléber Pereira, atacante do Santos, em entrevista após a derrota do seu time para o Corinthians.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

sábado, 18 de abril de 2009

Novos tempos


*Foto de Mariamma Kambon publicada no New York Times de hoje.

Globo e Sarney, tudo a ver

Fátima Bernardes, no Jornal Nacional de ontem, anunciou a matéria sobre a cassação de Jackson Lago. A reportagem foi apresentada naquele tradicional tom "imparcial" e ao final dela a câmera fixou-se em Fátima, que disse candidamente:

- O governador cassado Jackson Lago não quis gravar entrevista.

Por que será que ele não quis ser entrevistado pela Rede Globo, hein?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Briga boa


Nos últimos 5 ou 6 anos, nossos olhos ficaram voltados para a sensacional disputa pelo topo. Agora, quando Nadal se consolida definitivamente no primeiro lugar no ranking mundial e fica claro que Federer dificilmente o incomodará, nossos olhares devem descer um degrau para acompanhar a interessante briga pelo terceiro lugar. Essa disputa começou a se anunciar no final do ano passado, quando Andy Murray despontou no cenário mundial, chegando inclusive à final do US Open. Djokovic que se cuide.

Ontem, Murray e Djokovic disputaram a final do Masters 1000 de Miami. O escocês dominou amplamente a partida e, ao vencer por 2 sets a 0, se aproximou perigosamente do sérvio, que ainda mantém a terceira posição do ranking, só que agora com apenas 170 pontos de vantagem.

Nessa briga boa que se anuncia, eu aposto muito em Andy Murray, que me parece um tenista mais completo, mais versátil e mais inteligente taticamente. No jogo de ontem, o escocês, percebendo que Djokovic não estava num de seus melhores dias e estava cometendo muitos erros não-forçados, começou a apostar em longas trocas de bola, abusando dos top spins altos de direita e rasantes back spins de esquerda. Ou seja, ele passava a bola para o outro lado, variando os golpes e esperando que seu adversário errasse. Com isso, ele enrolou Djokovic, que não soube sair da armadilha bolada por Murray. Isso mostra a imensa competência tática do escocês.

Murray, no entanto, para se firmar entre os melhores e sonhar em fazer frente a Federer e Nadal, precisa dar mais um passo: vencer um grand slam, coisa que Djokovic já fez no ano passado ao vencer o Aberto da Austrália. Mas receio que sua maior chance de quebrar esse tabu será no final do ano, no Aberto dos EUA, pois ele, definitivamente, não está entre os favoritos para vencer nem no saibro de Roland Garros nem na grama de Wimbledon (apesar da entusiasmada torcida que deverá ter a seu favor no All England Club).

Convido vocês a ficarem de olho nessa disputa entre Murray e Djokovic. Prometo, valerá a pena.

***
O grande bafafá do torneio ficou por conta do acesso de fúria que o frio Roger Federer teve na sua derrota para Djokovic. Mas não era para menos, naquela altura do jogo ele não conseguia dar uma bola dentro. Ele praticamente entregou a partida de bandeja para o sérvio. Daí a sua frustração.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

As crianças e os dólares

Eu não sei explicar o porquê, mas é fato que as crianças tem fascínio por dólares. É verdade. Eu mesmo, quando era criança, deixava de lanchar na escola, juntava dinheiro e, quando acumulava um determinado montante, eu o dava a meu pai para que ele trocasse por dólares para mim. E com apenas uma recomendação: " Pai, eu quero notas novinhas, tá!". Elas não podiam ter uma dobrinha. Um amassadinho que fosse, elas perdiam o valor para mim. Então, assim que eu recebia as notas intactas, eu as deixava lá, esticadinhas, cuidadosamente guardadas na minha gaveta de cuecas. Só para isso elas serviam, para ficarem guardadas como relíquias.

Eu até cheguei a pensar que eu era um ponto fora da curva, mas dois episódios que eu presenciei recentemente, envolvendo as duas crianças com quem eu tenho maior contato, me fizeram chegar à conclusão de que, não, eu não era a exceção, mas sim a regra.

1) Há alguns meses eu fui a Cuiabá visitar uma parte da minha família que mora lá. Como sempre, eu levei um presente para o meu primo que tem 8 anos e é meu afilhado. Ele sempre adorou os meus presentes, invariavelmente carrinhos. Dessa vez eu percebi que ele não ficou tão satisfeito quanto das outras com o presente.

- E aí, Pedro, gostou do carrinho?

- Nossa, claro! Adorei!

- Que bom!

- Você sabe, eu adoro carrinhos...

- É, eu sei...

- Então, mas agora tem uma coisa que eu tô gostando mais do que de carrinho.

- Ah, é? O quê?

- Dólar. Da próxima vez pode me dar dólar.

2) Eu estava em São Paulo, lendo uma revista na sala da casa da minha cunhada, quando se iniciou a conversa entre ela e sua filha, que como meu primo tem 8 anos.

- Mãe, eu te amo muito.

- Eu te amo mais, filha.

- Te amo do tamanho de um carro!

- Te amo do tamanho de um caminhão!

- E eu do tamanho de um avião!

...

E assim foram até que minha cunhada resolveu acabar com a brincadeira:

- Te amo do tamanho do universo!

A menina pensou, pensou e respondeu, confiante de que tinha vencido a parada:

- Eu te amo do tamanho de um milhão de dólares!