segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Jogada de mestre

José Sarney foi eleito presidente do Senado e Michel Temer, da Câmara. Isso tem monopolizado as atenções dos comentaristas políticos, que tentam analisar quem ganhou e quem perdeu com essas eleições. E não tem havido consenso; uns dizem que Lula saiu vitorioso e outros, que ele sofreu uma derrota. Há também os que dizem que ele ganhou no Senado e perdeu na Câmara, pois Sarney lhe é simpático e Temer faz parte da "ala tucana" do PMDB. O único consenso que existe é que essas eleições no Congresso serão importantíssimas para o pleito presidencial de 2010. Quanto a isso não restam dúvidas.

Mas o jogo de xadrez não se limita a isso. Lula, ao que parece, está prestes a fazer uma jogada de mestre: o presidente convidará Fernando Pimentel para presidir o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, dando ao ex-prefeito o status de ministro.Você logo vai saber por que eu acho esse convite tão genial.

O PT mineiro está dividido em 2 grupos: o de Fernando Pimentel e o de Patrus Ananias, ambos querendo concorrer ao governo em 2010 -- qualquer um dos dois disputaria a eleição com grande chance de vencer. Esse racha ficou mais escancarado nas últimas eleições, quando Pimentel enfiou o Marcio Lacerda e a aliança com os tucanos goela abaixo do partido. Patrus não gostou, e fez questão de dizer isso aos quatro ventos. Embora no final tenha vencido a parada, com a eleição de Lacerda, Pimentel ficou sem clima no partido e está sendo tachado de traidor por muitos eleitores da esquerda mineira. Eles avaliam que Pimentel entregou de mão beijada a prefeitura de BH, que foi governada com muito sucesso por PT e aliados por 16 anos, para a turma do Aécio (em troca, este o apoiaria na eleição para o palácio da Liberdade, em 2010), por uma pura questão de ambição pessoal. Enfim, foi a famosa vitória de pirro. Comentário frequente aqui nos botecos de BH era que Pimentel, enfraquecido e prevendo-se sem espaço, deixaria o PT rumo ao PSB e à uma secretaria no governo Aécio.

Fernando Pimentel, apesar desse erro estratégico de andar a reboque de Aécio, é um excelente quadro do PT, não há como negar. Mas só há uma vaga para candidato a governador pelo PT nas próximas eleições, e, na opinião da maioria dos petistas e de outros eleitores de esquerda de Minas Gerais, essa vaga tem de ser de Patrus Ananias. E é aí que entra a jogada genial de Lula. Pimentel está fragilizado dentro do PT e, magoado e prevendo que seria preterido na disputa interna com Patrus, poderia deixar o partido, que perderia um ótimo quadro e um político para lá de popular, além de correr o risco de o ex-prefeito engrossar as fileiras adversárias. A intenção de Lula com esse convite seria "resgatar" Pimentel e, daqui a um ano, torná-lo homem-forte da campanha de Dilma. Ele seria o Palocci dela. E, em caso de vitória da petista, seria o seu provável ministro da Fazenda.

Com esse lance, Lula contentaria os dois gigantes do PT mineiro. Abriria caminho para que Patrus fosse o candidato a governador, sem ter enfrentar uma desgastante disputa interna (lembre-se, estamos falando de Minas Gerais. As disputas aqui se dão silenciosamente, nos bastidores, mas são violentíssimas) e prestigiaria e estimularia o ex-prefeito Pimentel, que, com certeza, se engajaria ao máximo na campanha de Dilma. Esta, por sua vez, também não sairia de mãos abanando: ela teria um ótimo palanque em Minas Gerais com o Patrus e um aliado de peso na condução da sua campanha e um quadro muito interessante no seu ministério.

É notório que, se não der um daqueles seus famosos tiros no pé, o PT é talvez o grande favorito a ganhar a próxima eleição para o governo do estado que tem segundo colégio eleitoral do Brasil, o que, além de tudo, seria importantíssimo para as pretensões de Dilma (sabemos o quão importante é ter um bom palanque em Minas Gerais para se vencer uma eleição presidencial no Brasil, não é mesmo?). Lula é esperto, e está planejando fazer a jogada certa, dar o golpe de mestre, para evitar a possibilidade de uma indigesta disputa interna, que poderia tirar o seu partido da privilegiada posição em que se encontra em Minas Gerais.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Meme dos segredos

O mui amigo NPTO me colocou numa fria. Mandou para mim o meme dos segredos que está rolando por aí. Bom, não vou fugir da raia, né? Então, lá vai:

1) Todos nós contamos nossas mentirinhas de vez em quando, mas, na maioria das vezes, com a melhor das intenções. Em 1999, quando fui conhecer os pais da minha namorada, sabendo que eles eram católicos fervorosos, resolvi dizer, para tentar impressionar os meus in-law, que eu era um rato de igreja e que já tinha sido inclusive coroinha. Claro, tudo uma inocente "adaptação da realidade". Na verdade eu tinha ido só umas 4 ou 5 vezes à igreja quando era um adolescente de 14 anos, porém o objetivo não era rezar ou celebrar, mas sim paquerar as meninas (é, isso mesmo, paquerar as meninas. Sou de uma cidade de 25 mil habitantes do interior de Minas Gerais. E a igreja é o melhor lugar para se encontrar as meninas nessas pequenas cidades mineiras). Há 10 anos, eu já era um agnóstico, mas isso não me impediu de frequentar algumas missas com os meus futuros sogros, tentando fazer uma média.

2) Houve uma época em que as regras da biblioteca da minha faculdade ficaram muito rígidas. Só era permitido ficar 24 horas com um livro e se você se atrasasse um minuto para devolvê-lo, tinha que pagar uma multa pesada, pelo menos para o bolso de um universitário. E nós não achávamos um dia suficiente para estudar tudo que precisávamos. Então o pessoal começou a, digamos, pegar os livros "emprestados" sem a bibliotecária saber. Eles os usavam pelo tempo que precisassem e depois devolviam-nos, também sem que ninguém ficasse sabendo. Eu nunca tinha me valido desse expediente, mas... Bom, um dia eu estava na biblioteca e fui à prateleira onde ficavam os Robbins (a bíblia da patologia) -- eu teria uma prova ferrada de patologia na semana seguinte -- e vi que tinha apenas 3 volumes da edição mais recente. Lógico, eu não queria estudar pelo Robbins antigo! Pensei, hesitei e sucumbi à tentação: afanei o livro. Não era um livro qualquer, ele tinha o triplo do volume e o quádruplo do peso do Irmãos Karamazov, da editora 34, por exemplo. Não foi nada fácil.

3) Quando esse livro sumiu das prateleiras, houve uma mobilização total da diretoria, do pessoal da biblioteca e dos alunos que começaram a se sentir prejudicados. Foi o início de uma caça às bruxas, a diretoria pressionando, ameaçando, os colegas acusando uns aos outros e a biblioteca não deixando mais nenhum livro ser emprestado até que o Robbins aparecesse. Eles não sabiam que eu tinha apenas pegado "emprestado" o livro, nem o pessoal da minha república sabia. Então, com medo de ser descoberto, eu peguei o livro e o deixei no laboratório de anatomia, onde ele foi resgatado por um funcionário. O duro depois era ouvir os comentário do tipo "o cara para roubar um Robbins tem que ser um ladrão de marca maior" ou " você viu? O larápio é corajoso para pegar o livro na prateleira, mas não tem coragem de ir lá na biblioteca devolvê-lo" e fazer que eu não tinha nada a ver com isso.

4) Naquela mesma época em que eu ia à missa ver as meninas, houve uma eleição para prefeito da minha cidade. A disputa estava apertada e o clima, pesadíssimo. Havia apenas dois candidatos e eu optei por apoiar um deles. Corria o boato que a turma do outro candidato, o cara mais rico da cidade, ia distribuir cestas básicas num bairro carente, na véspera da votação. Brilhantemente, eu e mais dois amigos, todos molecotes, resolvemos passar a madrugada escondidos num terreno baldio, fazendo vigília. Eu estava me achando importantíssimo. A cada farol de carro que eu via meu coração disparava. Passamos a noite toda lá e não demos nenhum flagrante. Depois de alguns dias, me pus a pensar: "E se eu visse alguma coisa, o que eu iria fazer?" E o pior: depois de todo esse esforço cívico, meu candidato ainda perdeu e, algumas semanas depois, se aliou ao vencedor, alegando que naquele momento a cidade precisava de união!

5) Eu tinha 8 anos de idade e estava, junto com meu irmão de 7, na casa de um tio meu. Ele tinha um filho da minha idade que era cego de nascença e que, naquela época, estava se tratando de uma grave leucemia, fazendo quimioterapia. Eu e meu irmão estávamos brincando, correndo pela casa, e ele estava sentado no sofá, entretido com uns brinquedinhos. Eu vi aquela cabeça careca, branca, brilhando, se oferecendo, e, num impulso, corri até ele e dei-lhe um tapão estalado na cachola. O menino apenas resmungou alguma coisa baixinho. Meu irmão, mais novo mas mais ajuizado, ficou indignado e disse: "Uai, Bruno, cê tá doido? Pra que isso?" e eu respondi: " O que é que tem? Ele é cego!".

6) Desde que Malhação começou, eu assisti a pelo menos 70% dos episódios.

Caramba, não acredito que eu tive coragem de contar essas coisas! Bom, quem ler esse post está convidado a entrar nessa fria também.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quando 2 gênios se enfrentam


Mais um jogo para a história. Numa partida de 5 sets, Rafael Nadal venceu mais uma vez Roger Federer e sagrou-se campeão do aberto da Austrália, seu 6º grand slam. Ele é o único tenista da atualidade, na minha opinião, que tem condição de ganhar todos os 4 grand slams. Para ele falta apenas o US Open. Alguém duvida que ele pode vencê-lo?

Foi um jogo que qualquer um poderia ter vencido, mas Nadal mostrou que é mentalmente mais forte que o suiço, jogando melhor nos pontos decisivos. Além disso, correu como sempre, buscando todas as bolas, mesmo as que seriam consideradas perdidas para tenistas normais (Nadal, como eu já disse, não é um tenista normal), fazendo o suiço ter que suar a camisa para ganhar cada mísero ponto. Enfim, acabou vencendo quem teve mais vontade, mais gana, o que nunca falta ao espanhol. Federer, por sua vez, em alguns momentos jogou com demasiada displicência, meio blasé, e isso é imperdoável quando se enfrenta Rafael Nadal, número um do mundo, na final de um grand slam.

Mas foi um espetáculo de primeira categoria, quase no nível da final de Wimbledon do ano passado, jogo que é considerado por alguns como o de maior nível técnico da história. Aliás, quando esses dois se enfrentam o show é garantido.

Foi muito bonito ver, na hora do discurso após a partida, Federer se emocionar e não conseguir falar. Ficou aos prantos por alguns minutos. Então os organizadores chamaram Nadal para receber o troféu e ele, após receber o prêmio, deu um forte abraço no rival, que fez questão de ir primeiro ao microfone dizendo que Nadal foi o campeão e merecia ser o último a falar. O suiço falou pouco, com a voz embargada, demonstrando muita frustração, mas não deixou de saudar as qualidades e os méritos do seu adversário. Então, quando Nadal foi discursar mostrou muito respeito por seu maior rival e não deixou de enfatizar que acha Federer um dos maiores tenistas de todos os tempo. O espanhol não ficou sorrindo, fazendo festa, parecia constrangido em comemorar vendo que o adversário estava sofrendo ao seu lado. Nadal tirou o sorriso do caminho para Federer poder passar com a sua dor. Um momento maravilhoso, de antologia. Nadal, além de um fenômeno, é um gentleman.

Agradeço todos os dias por ser contemporâneo desses dois gênios e poder acompanhar espetáculos como o de hoje.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Mais aberto da Austrália


Eu estava planejando escrever mais sobre o Austrália Open apenas domingo, após a final masculina, mas não podia deixar de falar do jogo épico da manhã de hoje entre os compatriotas Rafael Nadal e Fernando Verdasco. Uma batalha que foi decidida apenas no quinto set, após cinco horas e quatorze minutos de jogo, a partida mais longa da história do torneio.

O primeiro set foi pau a pau, sem nenhuma quebra de saque, e foi decidido apenas no tie-break, com vitória do tenista número 15 do ranking mundial. No segundo, Verdasco continuou jogando com muita agressividade, forçando muito o saque, mas Rafael Nadal fez o que se espera de um fenômeno como ele: tirou coelho da cartola nos momentos decisivos. O número 1 do mundo jogou com perfeição o décimo game, quebrou o serviço de Verdasco e ganhou por 6X4 o segundo set. No set seguinte os dois tenistas tiveram muitas dificuldades em seus games de serviço. Com essa irregularidade de ambos, o set foi novamente para o tie-break, que Rafael Nadal venceu, aproveitando-se de vários erros não forçados de Verdasco.

"Bom, Nadal jogou muito no tie-break e seu adversário fraquejou nos momentos decisivos do segundo e do terceiro set. Então o jogo está no papo para o número 1 do mundo", pensei com os meus botões. Eu estava redondamente enganado. Verdasco conseguiu manter o jogo equilibrado, levando o quarto set para novo tie-break, que, dessa vez, ele jogou com perfeição. Não deu chances a Nadal.

O quinto set foi jogado mais com o coração do que com braços e pernas por ambos. Era emocionante ver o esforço que os dois atletas faziam para conquistar cada ponto. No final prevaleceu a experiência de Nadal, tenista que vai disputar sua oitava final de grand slam. Verdasco, que nunca foi além da quarta rodada em nenhum dos majors, fez o que pôde: arriscou(76 erros não forçados contra apenas 25 de Nadal) , atacou muito (95 winners ante a 52 do seu adversário) e, com isso, supreendeu Rafael Nadal, que teve que usar todas as suas ferramentas para vencer. Enfim, foi um jogaço!

Agora, vamos ter a tão esperada final entre Rafael Nadal e Roger Federer. Este busca seu 14º grand slam, tentando igualar o recorde de Pete Sampras, enquanto o espanhol quer o seu primeiro título de major em quadra dura. Nenhum dos dois vai ter facilidade para alcançar o seu objetivo. Nadal venceu os quatro últimos confrontos entres os dois e está no seu auge, mas Federer, apesar de, me parece, já estar na trajetória descendente da parábola, leva a melhor quando se leva em conta apenas os jogos em quadra dura, além disso, tem a vantagem de ter ganho sua semifinal em sets diretos, portanto, teoricamente, estará com melhor condição física para a final. Isso se Rafael Nadal fosse um jogador normal...


quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Flashes do aberto da Austrália


Estamos chegando ao final do primeiro grad slam do ano. Já temos 3 finalistas: Serena Wiliams e Dinara Safina (foto) na chave feminina e Roger Federer na masculina. O quarto finalista será definido na partida entre os espanhóis Fernado Verdasco e Rafael Nadal. Se este vencer, teremos 2 finais eletrizantes.


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O grande favorito na semifinal que ainda está por se realizar é sem dúvida Rafael Nadal: ele é o cabeça de chave número 1 e ainda não perdeu nenhum set (!) na competição. Até aqui ele varreu todos os seus adversários com uma facilidade incrível, e entre seus oponentes estiveram Simon, número 8 do mundo, e Fernando Gonzales, número 14, ou seja, ele não bateu só cabeças-de-bagre não.

Tenho que confessar que eu não estava botando muita fé no número 1 do mundo. Antes do início do torneio, devido às constantes contusões no seu joelho, eu pensava que ele não estava em boas condições físicas para aguentar jogos numa quadra dura e sob um sol de 40º C. Como vimos, ledo engano. Ele está jogando como nunca e é favoritíssimo para vencer a semifinal.

Do outro lado da rede estará Fernado Verdasco, o azarão. Ele é o número 15 do mundo e venceu um dos grandes favoritos a ganhar o torneio, Andy Murray. Joga com uma raça incrível, é um osso duro de roer. Mas do jeito que Nadal está jogando...


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A outra semifinal masculina foi hoje de manhã. Roger Federer venceu por 3X0 o americano Andy Roddick, seu velho freguês. Roddick prometia dar mais trabalho, afinal ele venceu outro favorito ao título, Novak Djokovic, por desistência. Mas Federer, após o aperto pelo qual passou nas oitavas-de-final, quando chegou a estar perdendo por 2 sets a 0 para Tomas Berdych, parece que reencontrou seu jogo, voltou a ter gana. Nas quartas e na semi, Federer não tomou conhecimento de seus adversários e chega à final com o moral elevado. Só não sei se isso será o suficiente contra o embalado Nadal.


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Na chave feminina a coisa promete ser ainda mais interessante. De um lado a número 2 do mundo Serena Williams, do outro, a terceira do ranking mundial Dinara Safina. Quem vencer a final será a número 1 , cabendo à perdedora se contentar com a segunda posição no ranking.

Serena, apesar de jovem, está mais do que acostumada a grandes decisões, afinal ela já venceu 9 grand slams e já permaneceu por 61 semanas como número 1 do mundo. Experiência definitivamente não lhe falta. Mas me parece que ela não está jogando seu melhor tênis, não aquele tênis que a colocou como a jogadora dominante do início dessa década. No entanto, ela é uma jogadora tão talentosa, tão completa, que mesmo relaxando nos treinos e na preparação, como é notório que ela tem feito nos últimos anos, ela sempre tem que ser colocada entre as favoritas. Para confirmar isso que estou dizendo, basta ver com que autoridade ela bateu a tenista que melhor estava jogando no torneio e que ainda não havia perdido nenhuma partida no ano, a russa Elena Dementieva, por 2X0.

Mas para ser campeã, Serena terá que passar por outra russa, Dinara Safina. Esta, antes do início do torneio, era apontada por especialistas como favorita ao título. Ela é jovem, nunca venceu um grand slam, mas esse favoritismo tem razão de ser: ela joga muito tênis. Para vencer a americana ela vai ter que ter muita cabeça, coisa que às vezes lhe falta em alguns momentos, assim como a seu irmão famoso. A russa começou o torneio jogando mal, o que levou muita gente a dizer que ela estaria escondendo o jogo, e veio crescendo no decorrer das rodadas. Na semifinal ela venceu por sets diretos a sua compatriota Vera Zvonareva.

A final será imprevisível, com as duas tenistas buscando ter o comando das ações o tempo todo. As duas adoram atacar, são muito agressivas. Serena tentará desestabilizar emocionalmente a russa, impondo seu ritmo de jogo, enquanto esta tentará empurrar a americana para o fundo de quadra, trocando bolas, para cansá-la e assim tirar vantagem de sua juventude e melhor preparo físico. Para quem gosta de tênis, esse será um jogo imperdível, tanto quanto a final masculina, se Nadal passar por Verdasco.

domingo, 25 de janeiro de 2009

O levante dos malês

Há exatamente 174 anos centenas de negros- a maioria escravos-, vestindo abadás e barretes, investiram contra as espingardas das forças do Estado, empunhando porretes e espadas, e instalaram o caos nas ruas de Salvador. Era o levante dos malês, a mais fascinante revolta escrava ocorrida no Brasil.

Sob a batuta dos mestres Ahuna, Pacífico Licutan, Manoel Calafate, Dandará, Luís Sanin e outros, um grupo de africanos islamizados (a maioria dos revoltosos), os malês, que foram capturados na sua terra e escravizados no Brasil, planejaram o levante por anos. Reuniram-se, confabularam, juntaram dinheiro (para comprar as cartas de alforria dos mestres que ainda não eram libertos), adquiriram armas...Queriam, quem sabe, implantar o Califado da Bahia, além de matar todos os brancos e escravizar os mulatos.

A explosão da revolta estava marcada para o dia 25 de janeiro de 1835, pela manhã, dia de Nossa Senhora da Guia, dia em que a vigilância aos cativos provavelmente estaria mais relaxada. Mas o plano inicial teve que ser alterado, e isso pôs tudo a perder.

Na madrugada do dia 24 para o dia 25 de janeiro, um grupo de malês estava reunido na casa de Manoel Calafate, esperando o amanhecer do dia para começar o ataque. No entanto, por mais que tivessem tomado cuidado, boatos de que escravos estariam programando uma grande rebelião começaram a circular por Salvador. Agentes do Estado já começaram a ficar de orelha em pé. Aí, uma atitude passional serviu para alertar os policiais. A liberta Sabina, após trocar informações com outra liberta, a Guilhermina, resolveu ir à casa de Manoel Calafate, procurando seu companheiro, Victório Sule, com quem tinha brigado naquele dia pela manhã e que saíra de casa levando uma trouxa de roupas. Ela sabia que ele era um dos conspiradores. Ao chegar à casa do mestre e ouvir que Victório não estava lá, ela aprontou um escândalo, dizendo que ouvira a voz do companheiro e que a deixassem entrar, senão... Bom, diante disso, os policiais tiveram que agir. Quatro foram enviados para a casa de Calafate. Os malês que lá estavam reunidos, vendo que não poderiam mais esconder a conspiração, resolveram adiantá-la. Mataram os quatro policiais e sairam às ruas, desordenadamente, avançando sobre as fortificações e a cadeia - para libertar o mestre Licutan, que lá estava preso.

Por 3 horas o caos foi total nas ruas de Salvador. Mas eram porretes, facas e espadas contra espingardas e pistolas; além disso, os malês não puderam fazer o ataque como planejaram, pois outros grupos, reunidos em outras casas, esperavam o dia amanhecer para poder entrar em ação. Com isso, os malês, apesar de terem lutado bravamente, foram presas fáceis para os policiais. Muitos foram mortos, outros, presos. Os mestres que escaparam, sumiram e o islamismo foi perseguido ferozmente nos anos seguintes. O sonho do califado da Bahia foi definitivamente enterrado.

Essa é a história, bem resumida, do impressionante levante dos malês.

Fonte: REIS, João José. Revolução escrava no Brasil: a história do levante dos malês em 1835. Companhia das Letras.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Aécio e imprensa mineira, tudo a ver


Só hoje tomei conhecimento de mais esse documentário que trata da relação promíscua entre nhô Aécio e a mídia mineira. Nada de novo para quem acompanha a política mineira de perto. No entanto, vale a pena assistir ao documentário (de pouco mais de 8 minutos) e conferir exemplos do esforço que o governador de Minas Gerais e a imprensa mineira, principalmente a Globo Minas e o jornal Estado de Minas, têm feito para calar os críticos. Especialmente interessante é a repercussão na imprensa mineira de um perfil de Aécio Neves feito pelo jornal francês Le Monde.