quinta-feira, 6 de março de 2008

Voltei!

Após um longo ocaso, volto a postar com alguma regularidade. Até mais

sábado, 29 de setembro de 2007

A capa da Veja

Com o relatório da polícia federal comendo solto por aí e denunciando o "mensalão tucano" , a Veja dá o Che Guevara na capa! E a matéria? O velho discurso da época da guerra fria tentando derrubar o mito. A desculpa é o aniversário de 40 anos da morte do guerrilheiro. Ora, mas ele morreu em 8 de outubro. Essa capa, portanto, poderia ser a da próxima semana.

Se eu soubesse que os editores da Veja tiveram esse "apagão mental" , eu poderia ter sugerido vários assuntos para a capa:

1) a CPI da TVA-Abril : A Veja poderia aproveitar sua sanha denunciadora e explicar tim-tim por tim-tim o negócio nebuloso que foi a venda da TVA ( que pertence ao grupo Abril, dono da Veja) para a Telefônica. A Telefônica é uma empresa espanhola e a constituição brasileira proíbe que uma empresa estrangeira controle um veículo de comunicação. A suspeita é que há um contrato de gaveta deixando o controle da TVA nas mãos da Telefônica. Uai, peraí! Isso não torna a Abril "laranja" da Telefônica? Por que a Veja se preocupa tanto com os "laranjas" do Renan Calheiros e se esquece de "laranjas" mais próximos? Informação: já há na Câmara dos deputados um requerimento com 181 assinaturas para a instauração da CPI. O número de assinaturas é o suficiente para sua instalação , mas há lobistas da Abril aliciando os deputados a retirarem suas assinaturas. Uai, peraí! Se não deve nada, a Abril não tem nada a temer, certo? A Veja disse algo semelhante quando o governo tentava impedir CPIs que não eram do seu interesse. Por que dois pesos e duas medidas,hein Veja?!?!

2) O "mensalão tucano" : O "mensalão do PT" que foi alvo de dezenas de capas da Veja envolveu 19 políticos, o "tucano" envolveu 150 políticos e não teve nenhuminha. Por que não se fala que o Aécio Neves recebeu R$100.000 do valerioduto para sua campanha para deputado federal em 1998? Por que não se fala que o valerioduto abasteceu, através de caixa 2, a campanha do FHC, como reconheceu, nada mais nada menos, que o presidente do PSDB e cadidato ao governo de Minas na época, Eduardo Azeredo? Por que não se fala que o presidente do PT na época da denúncia do esquema chamado de mensalão, José Genuino, pecou por omissão e o presidente do PSDB em 1998, Azeredo, foi o beneficiário direto do crime? Por que não dizer que o Caixa 2 tucano envolveu muito mais partidos e muito mais dinheiro que o petista? Isso não isenta o PT de crime de caixa 2 , mas será que o leitor da Veja não merece conhecer a verdade?

3) Dados do IBGE: Estudo recente do IBGE mostrou que caiu a pobreza entre os idosos e isso se deve ao aumento real do salário mínimo nos últimos anos e seu reflexo na previdência social. Mas os "cabeça de planilha" da Veja não dariam uma capa assim, isso seria confessar que a previdência não é só mais um gasto , que ela trás benefício evidentes para a população como um todo, já que muitos idosos são hoje arrimo de família.

Esse temas são mais pertinentes para a capa da revista semanal mais vendida do Brasil ,não acham? Mas a Veja prefere continuar sua doutrinação direitista da classe média ( que se acha informada lendo a Veja!).

terça-feira, 25 de setembro de 2007

O poodle do poodle

É muito comum você ter uma simpatia instantânea por uma pessoa. Pode ter vários motivos: o carisma, uma atitude louvável... ou, mais comumente, nenhum motivo. A grande maioria dessas simpatias instantâneas inexplicadas evoluem lentamente para uma decepção. Isso aconteceu comigo recentemente.

Eu tinha por Bernard Kouchner uma grande admiração. Ele foi o criador do"Médicos sem Fronteiras", organização que visa recrutar médicos para ações humanitárias em locais onde há vítimas de catástrofes, epidemias, conflitos...É uma idéia brilhante que seduz milhares de médicos, principalmente, jovens e idealistas como eu. Durante algum tempo eu sonhei em ser recrutado, mas a vida foi me levando, de um lugar para outro, até que cheguei aqui em BH e não tenho como sair, pelo menos por enquanto.

Bom , portanto não era imotivada minha simpatia por ele. Mas eis que vem a quase inexorável segunda fase, a decepção.

Kouchner , que era um dos expoentes do partido Socialista francês, aceitou o convite do presidente da França,o direitista Nicolas Sarkozy, para ser seu Ministro do Exterior ( desfiliando-se assim do PS). Esse oportunismo não é uma atitude muito honrosa, mas podemos considerar que faz parte do jogo. So far...

O problema é que ele começou a colecionar gafes e atitudes condenáveis. Sua última foi a bravata " Temos que nos preparar para o pior, e o pior é a guerra", falando sobre o Irã e suas supostas armas nucleares. Sabe-se, porém, que o Irã precisaria de 3 a 8 anos para fabricar uma bomba atômica, tempo mais do que suficiente para se tentar a alternativa diplomática.

Esse anúncio de Kouchner se insere no seguinte contexto: Bush procura desesperadamente um motivo para atacar o Irã ( a Casa Branca acusa o Teerã de patrocinar a resistência à dominação americana no Iraque e, mais importante, Bush busca um trunfo para a eleição presidencial americana no ano que vem, caso contrário seguirá sendo um "lame duck") e o chefe do ex-socialista , o hiperativo Nicolas Sarkozy, é o mais novo poodle de Bush. E Kouchner, ao que parece, é o poodle do poodle!

Portanto, ele, até então considerado um grande humanista, pode se tornar co-autor de mais uma guerra sórdida no Oriente Médio!

É ou não é para se decepcionar?

domingo, 16 de setembro de 2007

Person e São Paulo S/A




Esse foi mais um fim de semana de muito cinema para mim. Entre os filmes que eu assisti estão o " Person" e " São Paulo S/A". O primeiro é um documentário dirigido pela Marina Person sobre o seu pai, o cineasta Luiz Sérgio Person e o segundo é o principal filme dele.


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Existem momentos propícios para se conhecer a obra de determinado diretor de cinema, de determinado escritor... A exibição de " Person" nos cinemas é um bom estímulo para, pelo menos, tentarmos entender o culto ao homenageado do documentário.

Se o documentário não é um primor, ao menos presta o grande serviço ao cinema brasileiro de jogar luzes a obra de Luiz Sérgio. Por que digo que o documentário não é um primor? É porque a Marina o dirigiu de uma maneira um tanto quanto conservadora ( lembre-se , é o seu primeiro documentário!), mas isso não é nenhum demérito, já que ela não se propôs a revolucionar o cinema e sim homenagear seu pai. E logrou grande êxito ao fazê-lo com grande afeto. Mostrou que, além de apresentar programas bobocas na MTV, ela sabe filmar e nos proporcionou um filme cheio de ternura sobre a morte, a lembrança e o recomeço.

E recomeço é também um dos temas de "São Paulo S/A". É a história de Carlos ( Walmor Chagas, excepcional!) , um jovem tentando subir na vida, tendo como pano de fundo uma São Paulo , dos anos 50 , que se desenvolvia rapidamente. São Paulo , aliás, é quase um personagem do filme.
Carlos, depois de algumas aventuras amorosas, deixa o Rio e se muda para São Paulo , que vivia a euforia da instalação da indústria automotiva. Esse é o primeiro recomeço. Inicia como funcionário da Volks e pouco tempo depois já era gerente de uma fábrica de auto-peças e casado com uma jovem burguesa "casadoira" Luciana ( Eva Wilma). Ou seja,torna-se um jovem bem-sucedido e convencional, mas pagou um alto preço por isso. Deixou de ser quem era, virou quem nunca sonhou ter sido. E decide tentar um novo recomeço.
Tudo isso é filmado de uma maneira singular e, absolutamente, inovadora. Depois de assistir esse filme entendi por que o Luiz Sergio Person é tão cultuado. Por essa descoberta, eu tenho que agradecer a Marina Person!
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Assisti também " Profissão: repórter", do Antonioni, pois achei o momento oportuno para conhecer um pouco melhor a obra desse cineasta, devido a sua morte recente. Antes eu só tinha assistido seu filme mais famoso, " Blow up- depois daquele beijo" e tinha achado chatíssimo. Não entendia por que esse filme era sempre colocado entre os melhores de todos os tempos, em todas as listas.
Achei que assistindo outro filme do diretor eu iria desfazer minha má impressão, porém... Bom, quase não conseguia manter meus olhos abertos, quase morri de sono, apesar da bela atuação do Jack Nicholson.
Talvez assistir Antonioni seja como ler Guimarães Rosa, precisa ser feito no momento certo para que você absorva toda a sua genialidade... Talvez eu não esteja nesse momento...



quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Solução de vida (molejo dialético)

Acreditei na paixão
E a paixão me mostrou
Que eu não tinha razão

Acreditei na razão
E a razão se mostrou
Uma grande ilusão

Acreditei no destino
E deixei-me levar
E no fim
Tudo é sonho perdido,
Só desatino, dores demais

Hoje com meus desenganos
Me ponho a pensar
Que na vida, paixão e razão,
Ambas têm seu lugar

E por isso eu lhe digo
Que não é preciso
Buscar solução para a vida
Ela não é uma equação
Não tem que ser resolvida

A vida, portanto, meu caro,
Não tem solução.
(Paulinho da Viola/ Ferreira Gullar)


Já ouvi muitas discussões apaixonadas sobre se letra de música popular pode ser considerada poesia ou não. Como diz o poeta Frederico Barbosa: " música popular é, sim, poesia. Pode ser boa ou má, mas é poesia".
Essa letra acima é, ou não, um poema?

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Renan.

Alguém acreditava na cassação do senador Renan Calheiros? Bom, eu já havia previsto num post anterior que ele seria absolvido. Era mais do que previsível , pelas razões que expus anteriormente.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Na cama



Voltando ao trabalho depois de um bem vindo feriado prolongado. Peguei uma gripe "braba" no início e mal saí da cama nesses dias. Aproveitei o recesso, então, para ler algumas coisas que estavam atrasadas.

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Lí a edição de agosto ( primeiro número) da revista " Le monde diplomatique Brasil" e tive uma boa surpresa. Na minha opinião ela veio para ficar e já se posiciona entre as melhores publicações do Brasil, ao lado de Carta capital, Caros amigos e Revista Piauí.

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Suas matérias fogem do lugar-comum e dos generalismos. Aprofundam realmente nos temas e nos proporciona uma visão diferente da dos jornalões e revistas tradicionais.

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Duas matérias merecem destaque: "O ano 1 da esquerda" que fala sobre os dilemas da esquerda após a derrota de Segolene Royal na eleição presidencial da França nesse ano e sobre as razões do triunfo do capitalismo sobre o socialismo real no século passado ( e a razão principal, em uma palavra, é o imperialismo) ; e "Apagar o passado?" sobre os métodos e contradições de Milton Friedman, pai do neoliberalismo.

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Isso para nao falar da fantástica entrevista com o intelectual-bomba Noam Chomsky. Enfim , é uma revista para quem gosta de ler e se aprofundar em assuntos de interesse geral.

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A imagem que ilustra esse post é a do filme " Era um vez no oeste", que eu assisti no feriado. Ele é dirigido por Sergio Leone, rei do " spaghetti western" e estrelado por Henry Fonda, Charles Bronson e a estonteante Claudia Cardinale.
É um filme realmente intrigante, cheio de falsas pistas e surpresas. Esse clima é garantido pela brilhante trilha sonora assinada por Enio Morricone.

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É lógico que também fiquei de olho nas finais do Us open de tênis. A final feminina não teve graça. Justine Henin justificou o favoritismo e passeou em quadra na final. Como se diz no jargão do tênis, a russa Kuznetsova não viu nem a cor da bola.

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Já a final masculina foi digna de um Grand Slam. De um lado o favorito Roger Federer e do outro a sensação sérvia Djokovic. Era uma final muito aguardada, já que o sérvio é o segundo tenista que mais venceu nessa temporada até aqui ( ficando atrás apenas de Nadal nesse quesito) e vem se mostrando o atleta mais carismático dos últimos tempos no circuito. Mas o showman sérvio não foi páreo para aquele que é, na minha opinião, o tenista mais completo de todos os tempos. O suiço venceu por três sets a zero, fora o chocolate!

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Terminei de ler " História e consciência de classe" do Georg Lukács. Sempre leio um livro de ficção e um de não-ficção concomitantemente. Eu tinha empacado nesse , enquanto já tinha lido outros 3 de ficção...