quinta-feira, 21 de maio de 2009

Simonal - Ninguém sabe o duro que dei



Como o prometido, vou falar um pouquinho do documentário "Simonal, ninguém sabe o duro que dei" que assisti no último fim de semana.
Quem ainda não viu o filme e pretende vê-lo, deve imediatamente parar de ler esse post.

O documentário se baseia em depoimentos de contemporâneos, adversários, amigos e familiares do cantor e em imagens de arquivo para montar uma espécie de biografia de um dos primeiros pop stars brasileiros.

Simonal era o cantor mais popular do Brasil entre meados dos anos 60 e início dos 70 graças à sua voz marcante, seu talento inquestionável e seu carisma raro. Era mais popular que Roberto Carlos, ou seja, era o cara! Em vez de cantar Tom Jobim ou Chico Buarque, preferia "Meu limão, meu limoeiro" e Carlos Imperial. Ele interpretava canções despretensiosas, nada engajadas, feitas para dançar. Foi o grande intérprete das canções de Jorge Ben.

Fazer músicas "para dançar" não seria um grande problema se não fosse o período turbulento que o Brasil vivia. Era o Brasil da ditadura, do AI5, da radicalização à direita e à esquerda. Ao que tudo indica Simonal não estava preocupado com política. Queria só saber de dinheiro, "carangos" e mulheres. Isso, lógico, incomodava a nossa esquerda. Posso imaginar o discurso: "Porra, os milicos matando todo mundo e o negão só andando de Mercedes, pegando os brotos e cantando Mó num patropí!"

E aí, bom, aí Simonal, no auge do sucesso, ganhando e gastando dinheiro adoidado, descobre que está quebrado. Ele achava que culpa não era da sua ostentação (o cara tinha 3 Mercedes!), mas do seu contador, que o estaria roubando. Então Simonal o despediu. Era o início do fim.

O contador então moveu um processo trabalhista contra Simonal, que ficou injuriado e pediu para uns amigos policiais darem uma prensa no ex-funcionário. Para piorar as coisas, ele foi levado para o DOPS, onde foi brutalmente torturado. Quando isso veio à tona e Simonal foi chamado a depor, ele, achando que estava sendo esperto, sapecou a seguinte frase: "Sou de direita e tenho muitos serviços prestados à revolução". E disse ainda que o cara fora levado ao DOPS porque era terrorista. Bom, Simonal se declarou de direita, denunciou uma pessoa ao DOPS, cantava musicas consideradas ufanistas... Ora, não havia dúvidas, Simonal era um informante dos milicos, um dedo-duro, um judas!

Depois desse episódio, Simonal começou a ser boicotado: não era chamado para programas de televisão, seus discos saíram das prateleiras, não era contratado para shows, era hostilizado por colegas, detonado pelo Pasquim... No fim das contas, não se falou em Wilson Simonal por quase trinta anos no Brasil. Ele era um pária. Morreu, aos 62 anos, vítima de cirrose hepática causada pelo consumo excessivo de álcool.

Tudo isso aí é contado no documentário. Em minha opinião, é um bom filme, cujo principal mérito é não julgar Simonal. Os diretores procuraram mostras os fatos, as versões, e os expectadores que tirem suas próprias conclusões. No entanto, senti falta de algumas coisas. O documentário toca somente en passant no nome de Carlos Imperial. Ora, quem conhece Simonal sabe da importância que Imperial teve, para o bem ou para o mal, para a sua carreira. Essa influência deveria ter sido mais bem explorada. A sua infância pobre e sua ascensão por meio da música também poderiam ter sido mais detalhadas. Para quem vê o filme, não fica claro como Simonal chegou lá, ao estrelato. Como começou a cantar na noite? Quem foi importante no início de carreira? Onde se apresentava antes de ir para o Beco das Garrafas? Tudo isso ficou sem resposta ou, pelo menos, sem resposta satisfatória. Mas, só pelo fato de colocar o nome de Simonal na boca das pessoas novamente, o documentário já desempenhou com louvor o seu papel.

***

Infelizmente, parece que o filme não anda muito bem das pernas, pelo menos aqui em BH.

Eu já tinha declarado aqui que Simonal ocupa um lugar de muito destaque na minha memória afetiva. Associo a sua música a momentos muito alegres da minha infância e adolescência. Quando ouço "Sá Marina" ou "Mustang cor de sangue" me lembro imediatamente das noites de sexta-feira em que meu pai tomava o seu Whisky, colocava Simonal para tocar e nós ficávamos dançando e conversando até de madrugada. O Simonal foi a trilha sonora dessa fase da minha vida.

Então, quando o filme estreou aqui em BH eu estava todo empolgado: - Agora, finalmente, vão redescobri-lo. Fui ao cinema no domingo, no BH Shopping, um dos mais movimentados da cidade. O cinema estava lotado, mas para assistir a "Anjos e demônios". Na nossa sala tinha apenas seis pessoas, três casais: eu e minha namorada-esposa, um casal de meia-idade e outro, de adolescentes.

Enquanto os adolescentes estavam na maior pegação, nós e o outro casal curtíamos o filme e principalmente as músicas. Estalávamos os dedos e batíamos os pés para acompanhar o ritmo da música: "Camisa verde claro, calça Saint-Tropez/e combinando com um carango, todo mundo vê/ ninguém sabe o duro que dei/ pra ter fon-fon trabalhei, trabalhei"... No final da sessão, trocamos olhares de cumplicidade.

Tomara que, apesar do aparente fracasso de público, o filme contribua para que Wilson Simonal seja finalmente anistiado.

Recordar é viver

Nelson Perez/valor


O presidente da Petrobras, Philippe Reischtul, em frente ao novo logotipo da empresa.
Foto que ilustra a reportagem da Folha de S. Paulo publicada no dia 27/12/2000, cujo título é "Petrobras muda o nome para Petrobrax".

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Um fato, dois enfoques

Dois enfoques diferentes para mesma notícia:

1º) Emprego formal sobe pelo 3º mês, com 106 mil novas vagas
Do "lulopetista" site do Estadão

2º) Criação de emprego com carteira assinada cai 94% no ano
Do "imparcial" site Uol/Folha de S. Paulo

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Wilson Simonal, o cara

Enfim volta-se a se falar em Wilson Simonal. Graças ao documentário "Simonal - Ninguém sabe o duro que dei". Eu ainda não o assisti, mas irei ao cinema vê-lo nesse fim de semana e depois falo do filme aqui no blog.

Aos 14, 15 anos, quando os meus amigos eram fãs do U2 ou sei lá quem, eu era doido pelo Wilson Simonal. Ele ocupa um lugar de destaque na minha memória afetiva. Depois eu conto melhor essa história.

Mas assistam aí esse vídeo até o fim, são pouco mais de 9 minutos. Vale muito a pena! Vejam que maravilha a interpretação de Simonal e Sarah Vaughan da "The shadow of your smile".

Meu caso com Juliana Paes

OK, ok.

Vocês conhecem meu caso com a Baby do Brasil, né? Se não conhecem, vejam aqui. Viram? Pois é, parece que as celebrities brasileiras não vão muito com a minha cara.

Ontem eu estava naquele andar de baixo do aeroporto de Congonhas, esperando meu avião para BH. Aquele saguão estava excepcionalmente lotado, não tinha uma cadeira vaga a não ser a do meu lado. Como não tinha ninguém em pé esperando para sentar, eu me levantei tranquilamente para ir comprar um pão de queijo, como um bom mineiro. Quando eu voltava para o meu lugar para saborear o meu pão de queijo, eu vi uma moça muito maquiada tomando o meu lugar. Era a famigerada Juliana Paes. Eu pensei, tudo bem, eu sento ao lado. Mas ela, não satisfeita, colocou uma mala e um casaco enorme sobre o único assento vago do saguão. Vocês podem imaginar a raiva que eu fiquei...

Mas a raiva aumentou ainda mais quando eu notei que aquele gesto de colocar a mala sobre o assento não era nada fortuito, era para guardar lugar para um cara que estava com ela. E eu tive que comer o meu pão de queijo em pé, encostado a uma pilastra.

Obviamente, fiquei ali, rogando pragas, remoendo. Ah, a vingança não tardou! Quando foi feita a última chamada para o seu voo, ela se levantou rapidamente, se desequilibrou, torceu o tornozelo e quase se estatelou no chão. Não caiu, mas saiu mancando. Bela vingança!

***
OK, ok.

Depois deste episódio, eu me pus a pensar no poder da televisão em glamourizar, em colocar uma aura nas pessoas. O que eu estou querendo dizer, trocando em miúdos, é que essa Juliana Paes não é isso tudo, não. Só lá no saguão do aeroporto tinha umas 10 mulheres mais bonitas do que ela. Se eu não a conhecesse e alguém me perguntasse: - E aí, Bruno, que tal aquela morena?, eu olharia e responderia: - É, gostosinha, né? (Ok,ok, pode descontar um pouco aí por causa da minha antipatia pela moça)

***
E ontem não era exatamente o que eu poderia chamar de "o meu dia". No avião, eu me sentei na poltrona do corredor, ao meu lado, uma daquelas 10 mais bonitas que a Juliana Paes e ao lado dela, um mané. Ele estava lendo uma revista e ela, um livro. Pensei, esfregando as mãos: - Beleza, vou dormir. Eu estava muito cansado. Pois foi só eu pegar no sono e o mané resolveu contar toda a sua vida para a moça. Eu não consegui prestar muita atenção à conversa, mas eu sei que ele disse a palavra empresa 100 vezes e upgrade, umas 80. Era eu cerrar as minhas pesadas pálpebras e ele grasnava: - Empresa! Upgrade!, o que prontamente me despertava. Ela, não sei como, parecia estar muito interessada na conversa mole do mané. Ela sempre respondia: - Legal, interessante.

O que me leva a supor que o mané da história não era o tal mané
:-)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Não diga, Clovis Rossi!

Clóvis Rossi fez uma revelação bombástica na sua coluna de hoje da Folha de S.Paulo. Ele estava defendendo o voto em lista fechada (sou contra, mas não vou entrar nessa discussão agora) e para justificar sua defesa ele soltou essa pérola: "Todos os protagonistas dos escândalos recentes, remotos ou dos que fatalmente ainda surgirão são filhos do voto nominal. Todos."

É realmente espantoso! Num sistema em que o voto é nominal, todos os parlamentares envolvidos em escândalos foram eleitos através de, adivinhe, voto nominal. É por causa de sacadas como essa que continua sendo "indispensável" ler jornais.

Será que vale a pena?


Pouco tempo depois do Kindle 2, a amazon lança agora o Kindle DX, para confundir mais a minha cabeça. Para mim, a grande, enorme vantagem do DX é que ele tem PDF reader, o que me faria economizar quilos de papel e litros de tinta de impressora. O aumento do tamanho não sei se foi uma boa ideia...
Enfim, o grande problema eu acho que é o preço: 489 dólares. Será que vale a pena?