domingo, 25 de maio de 2008

Eu recomendo


Assisti ontem, no cinema, ao novo filme do diretor chinês Wong Kar-Wai "Um beijo roubado". Adorei ( só a Natalie Portman e a Rachel Weisz já valem o ingresso!).É delicado, emocionante, às vezes engraçado. Kar-Wai usa e abusa das câmeras lentas com muita sensualidade, tão típicas dele . E aproveita muito bem as belas paisagens americanas.


Norah Jones, a atriz principal do filme, apesar de marinheira de primeira viagem, não decepciona e tem uma atuação bonitinha,correta, discreta. Ela faz o par romântico com Jude Law, que no filme, faz o papel de dono de um café em Nova York, onde ele conheceu e se apaixonou por ela, que estava sofrendo muito por ter tido o "coração partido".


Ela percorre vários estados americanos, fugindo da decepção amorosa, trabalhando aqui e ali , cruza com vários personagens e situações que mexem muito com ela, que a fazem crescer. No final, quase um anos após sua partida, ela retorna ao café e encontra o personagem do Jude Law, ambos algo mudados, mais preparados para se amar.


Se você tiver que assitir a um só filme esse mês, eu recomendo esse!


Allez, Guga


Confesso, hoje meus olhos encheram de lágrimas, diante da televisão. E não foi só uma vez não.

A despedida de Guga do circuito profissional de tênis aconteceu essa manhã, na primeira rodada de Roland Garros, quando ele foi derrotado, por 3 sets a 0, pelo francês Paul-Henri Mathieu. O brasileiro jogou descontraídamente, brincou com o adversário e com a platéia, sorriu, apesar das dores nas costas e no quadril, se emocionou, enfim, deu adeus às quadras de maneira inesquecível para ele e para as pessoas que curtem tênis. Durante o jogo, quando ele fazia algum ponto bonito, a torcida reconhecia o esforço e aplaudia de pé, aos gritos de "Allez, Guga". No final da partida, foi ovacionado com gritos e aplausos ensandecidos, coisa que não vejo desde a despedida de André Agassi (que também me arrancou lágrimas); fez um discurso em francês, e foi homenageado com um troféu, pela direção do torneio.

Essas despedidas me emocionam como o diabo. Ainda mais de um jogador como Guga, cuja carreira eu acompanhei desde o início. Quando eu digo que acompanhei, eu quero dizer que acompanhei "mesmo". Quantas aulas na faculdade eu cabulei para assistir aos jogos dele?( aliás, não só os dele. Eu faltava também para assistir os jogos que eu julgava imperdíveis, que eram muitos, louco por tênis que sou). Quantas vezes eu me emocionei com aquelas batalhas dele contra o Kafelnikov?

Ele foi um jogador que, durante 5 anos ( 1997 a 2002 ou 2003), esteve entre os melhores, e depois dessa fase de ouro, molestado por uma lesão no quadril, caiu de produção e foi criticado ferozmente pelos idiotas de plantão do nosso jornalismo esportivo, que não se sensibilizavam com batalha do atleta para voltar a jogar em alto nível, após 2 cirurgias no quadril. Esses eram os mesmos que esgoelavam ou escreviam com letras ufanistas, durante a boa fase, que o Brasil agora era a pátria de raquetes, estava prestes a se tornar o país do tênis...
Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. O Brasil não tem mérito nenhum nas conquistas do Guga, caras pálidas! Nós sabemos o apóio que recebe o esporte no Brasil, né? Portanto, Guga foi o que foi "apesar" de ser brasileiro. Tudo que ele conquistou foi mérito, única e exclusivamente, dele e de sua equipe. Ponto final.
E agora que Guga parou, como fica o tênis no Brasil? Bem, o horizonte é sombrio, caros amigos. Os desmandos na cartolagem do tênis brasileiro são de chorar. Digamos, para resumir, que a CBT ( Confederação Brasileira de Tênis) é uma espécie de CBF do tênis, que não teve a competência de aproveitar o "boom" de tenistas que o Brasil conheceu, após 1997, para estimular o crescimento do esporte, e proporcionar condições para o surgimento de novos talentos.

Agora,resta-nos torcer para que não demore outros 40 anos para surgir outro tenista de ponta no Brasil, que foi, mais ou menos, o hiato de tempo entre o encerramento da carreira da Maria Ester Bueno ( ela ganhou "só" 7 grand slams de simples, é considerada uma das 400 personalidades mais importantes do século passado pelas Nações Unidas, e pouco se ouve falar nela aqui no Brasil!) e o surgimento de Guga, no título de Roland Garros de 1997.


sexta-feira, 23 de maio de 2008

Political compass

Tinha curiosidade de fazer o teste do Political Compass para ver onde eu me encaixaria no espectro ideológico. Fiquei onde eu pensei mesmo que ia ficar.


De acordo com o teste, sou extremamente esquerdista e libertário. De fato, sou uma pessoa de esquerda que preza as liberdades individuais, desde que essas liberdades não se tornem maléficas para as outras pessoas e para sociedade como um todo.

Ao contrário do que pode parecer, eu não sou nem um pouco radical ( gosto de debater idéias), mas não abro mão das minhas convicções.

Nova ferramenta do FDA

Escrevi um post recentemente que falava sobre as dificuldade que vem encontrando o FDA ( Food and Drug Administration), que é o órgão responsável pela aprovação, regulamentação e fiscalização de medicações nos EUA, para cumprir o papel que lhe é atribuído.


Um dos principais calcanhares de Aquiles do FDA é a fiscalização de medicações já disponíveis no mercado. São muitos os casos em que foi necessário a morte de várias pessoas, decorrentes do uso de alguma droga, até que o FDA a proibisse. Por conta disso, as autoridades de saúde americanas lançaram ontem o novo sistema chamado Sentinel Initiative.


Esse novo sistema consiste em utilizar a base de dados do maior seguro de saúde americano, o Medicare, para que funcionários do FDA monitorem como as drogas afetam a saúde da população. Essa medida visa aumentar a eficácia e a rapidez da fiscalização.


(O Medicare é um seguro de saúde, bancado pelo governo, que subdisia o tratamento médico de 40 milhões de americanos que tem direito a ele: americanos com mais de 65 anos, ou portadores de doenças incapacitantes ou que necessitem de hemodiálise cronicamente).


Essa medida pode realmente ser uma boa ferramenta para o FDA tentar recuperar sua combalida credibilidade, mas ela tem dois probleminhas na minha opinião. Primeiro, ela não ataca a raiz do problema, que é a força que os lobbies dos grandes laboratórios têm na "máquina" do FDA. Segundo, a população beneficiada pelo Medicare não é um bom parâmetro para se avaliar a segurança de uma medicação para a média da população americana, pois trata-se de uma população mais idosa e com mais c0morbidades. Com isso, elas tendem a usar mais medicações, como bem mostrou a reportagem de hoje do NY Times, e nós sabemos que a interações medicamentosas podem trazer efeitos colaterais que não apareceriam se só uma dessas drogas fosse utilizada. Isso é um viés considerável numa medida como essa, proposta pelas autoridades de saúde americana.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

2 clássicos


Pouquíssimas transmissões são capazes de me prender à frente da televisão por mais de 2 horas. Duas delas ocorreram nesse fim de semana: duas partidas de tênis memoráveis, dois clássicos .


No sábado, a semifinal do Master Series de Hamburgo entre Rafael Nadal e Djokovic foi um jogaço. O jogo valia uma vaga na final e a posição de número 2 do mundo. Nadal venceu o primeiro set, com dificuldade. No segundo, Djokovic deu uma aula de tênis, e o espanhol dava sinais de estar sentindo a contusão, com a qual ele vem convivendo nos últimos tempos. Mas, é fácil perceber, uma coisa não falta a Nadal: coração. Ele deu tudo de si no terceiro set e enterrou a esperança de Djokovic de alcançar a vice-liderança no ranking mundial.


No mesmo dia, Roger Federer, número 1 do mundo, vencera o italiano Andreas Seppi, com grande facilidade.


Sentei-me no sofá, no domingo, preparado para assistir a uma rara vitória do suiço sobre Nadal numa quadra de saibro, na final do torneio. Ora, Federer vinha de um jogo tranquilo e o espanhol, de uma batalha de 3 horas. Além disso, o número 1 do mundo está esbanjando saúde, enquanto o número 2 luta contra uma contusão persistente.


Começou o jogo, Federer abriu 5 a 1 no primeiro set. Ele estava passeando em quadra, dominando completamente a partida. Nadal estava liquidado, certo? Errado. Como eu já disse, o espanhol tem coração, garra. Não é que ele virou o jogo e venceu o primeiro set! Aí, eu pensei: "Agora já era. O Nadal vai deitar e rolar no segundo ". Quando o suiço venceu o segundo set, no tie-break, eu já começava a reconhecer que eu sou um péssimo advinho. Decidi, então, esperar para ver o resultado da negra, sem tentar fazer previsões. Aí, o espanhol número 2 do mundo resolveu mostrar porque é o melhor jogador em quadras de saibro da atualidade. Venceu o terceiro set por 6x3 e levou para casa o troféu.


Somando esses 2 jogos que eu relatei acima, foram mais de 6 horas em frente à TV, em 2 dias. Mas valeu cada minuto. Esses jogos, com certeza, entrarão para a história. Já podem ser classificados como clássicos. São comparáveis a Lendl x Mats Wilander, Sampras X Agassi, McEnroe x Bjorn Borg... Quem conhece e aprecia o tênis sabe o que significaram e significam esses duelos.


Agora, vem aí Roland Garros. Não dá pra dizer quem será o campeão (eu também não arriscaria um palpite.Vocês viram como eu sempre erro minhas previsões), mas eu seria capaz de apostar que o título ficará com um dos três: Nadal, Federer ou Djokovic. Eles são, disparados, os melhores da atualidade. Estão a quilômetros de distância dos outros...



sexta-feira, 16 de maio de 2008

Um pouco de poesia não faz mal a ninguém

Hoje eu estava num tédio danado. Cheguei mais cedo do trabalho, por volta das 2 da tarde, então, li um pouco( estou às voltas com "A interpretação dos sonhos", do Freud. É um livro interessantíssimo,mas maçante como o diabo), estudei, escrevi... Fiz várias coisas, mas nada de maneira satisfatória.

Eis que, fuçando na minha estante, topei com um livro que eu li há algum tempo e me provoca ótimas recordações. É o "Geografia íntima do deserto", da Micheliny Verunschk. Peguei o livro e abri. Caiu na página 70. Veja que beleza de poema:



Da rotina

Varrer o dia de ontem

que ainda resta pela sala,

o dia que persiste,

quase invisível

pelo chão,

nos objetos


sobre os móveis da sala.

Varrer amanhã

o pó de hoje.

Varrer,

varrer hoje.

(E domingo quebrar nos dentes

o copo

e sua água de vidro.

Segunda, não esquecer :

varrer todos os vestígios.)

Hillary, se era por falta de adeus...


O anúncio do apoio de John Edwards a Barack Obama era tudo o que Hillary Clinton não queria. Sua campanha tentava ainda fazer alguma marola com a vitória na primária da Virgínia Ocidental, mas essa notícia ofuscou quaquer tentativa nesse sentido.
Hillary agora dá sinais de resignação, de moderação nos ataques, ou seja, enfim, alguma sensatez na campanha da senadora.
Agora, com esse apoio, Obama ficou muito, muito próximo de ser nomeado o candidato do partido Democrata. Mais próximo do que isso só se, junto com Edwards, Al Gore, Jimmy Carter e Nancy Pelosi também endossassem a candidatura do senador por Illinois...